Cheida depõe no inquérito sobre Sercomtel
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terça-feira, 17 de julho de 2001
Lino Ramos De Londrina 
O ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PMDB) entregou ontem à Polícia Federal (PF) cópia do contrato do empréstimo feito em setembro de 1996 pelo município junto aos bancos Sudaméris e FonteCindam, no valor de R$ 21,6 milhões, caucionando ações preferenciais da Sercomtel. O documento revela uma diferença de R$ 25,4 milhões no pagamento da dívida, efetuado durante a gestão do ex-prefeito Antonio Belinati (sem partido). O empréstimo foi pago diretamente pela Copel em maio de 98, quando a companhia comprou 45% das ações preferenciais da Sercomtel, por R$ 186 milhões.
Cheida atualmente presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) foi o primeiro a ser ouvido no inquérito da PF que apura eventuais crimes contra o Sistema Financeiro, Ordem Tributária (sonegação) e de lavagem de dinheiro, na operação entre Sercomtel, Copel e os bancos FonteCindam e Sudameris.
Na época, a Copel teria repassado R$ 47 milhões aos bancos, descontando o valor antes de pagar o município. Um mês antes da transação, o FonteCindam teria negociado com um banco uruguaio os direitos da dívida com a prefeitura. A Receita Federal (RF) investiga se a operação financeira foi tributada.
Segundo o ex-prefeito, o contrato inicial dava à Sercomtel o direito de resgatar as ações, pagando juros de 8% ao ano mais Taxa de Juros à Longo Prazo (TJLP). Ele disse que os bancos ainda poderiam fazer um novo empréstimo ao município para o resgate das ações.
Emprestamos R$ 21 milhões e um ano depois foram pagos R$ 47 milhões, mais que o dobro. Alguém ficou com esse dinheiro. É isso que se quer saber: onde foi parar esse dinheiro e quem é que ficou com ele, afirmou Cheida. Ele justificou que o empréstimo foi autorizado pela Câmara e que a operação foi fiscalizada por uma comissão formada por representantes da entidades civis.
Cheida também alegou que município teria até 31 de dezembro de 1996 para quitar a dívida, mas como não tinha recursos, foi deliberada a venda das ações em Bolsa de Valores. Porém, uma liminar concedida pela Justiça impediu essa venda e um um aditivo contratual deu prazo até 31 de março de 1997 para a negociação do débito. Ele disse ainda que não sabe qual o procedimento adotado depois por Belinati.
Cheida considerou estranho o fato de a Copel ter quitado uma dívida que era do município. Ele também alfinetou os deputados estaduais, que chegaram a abrir uma CPI Sercomtel-Copel, mas no dia seguinte voltaram atrás. Uma CPI começou na Assembléia Legislativa e misteriosamente acabou, dando a impressão de que alguém foi lá dar uma cala-boca nos deputados.
O delegado da PF Sandro Roberto Viana dos Santos considerou produtivo o depoimento do ex-prefeito. Foi muito bom porque ele pôde esclarecer como se deram os fatos anteriores ao pagamento e apresentou cópia de um contrato que não tínhamos, explicou. Santos irá chamar ex-diretores da Sercomtel que na época também assinaram o contrato de empréstimo.
Mais de 100 pessoas deverão ser chamadas para depor na PF. Entre elas, ex-diretores do FonteCindam e Sudameris, da Copel e da própria Sercomtel, que deverão ser convocados depois que a polícia receber documentação solicitada à RF, aos bancos e a prefeitura.


