Cheida decide deixar PT após 17 anos
Pedro Livoratti
O ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida se desfiliou ontem do PT, depois de 17 anos atuando como membro do partido, desde sua fundação. O pedido de desfiliação, entregue por volta das 16 horas ao presidente do diretório municipal, Glauco Ramos, esclareceu sua discordância com a diretriz da legenda, segundo ele pouco aberta a alianças partidárias. Em sua carta de desfiliação, Cheida atrelou sua saída ao eterno privilegiamento da luta interna em detrimento de um amplo projeto partidário.
O ex-prefeito, que recebeu convites para filiar-se ao PMDB, PPS e PV, declarou ontem o interesse de participar ativamente das próximas eleições municipais. Segundo afirmou, por enquanto ele se mantém sem partido. Uma fonte ligada ao ex-prefeito garantiu, no entanto, que as negociações com o PMDB estão bastante avançadas. O presidente estadual do PMDB, senador Roberto Requião, disse que pretende contatar Cheida para reiterar o convite já feito ao ex-prefeito. Gostaria de tê-lo no PMDB, afirmou o senador à Folha, ontem à tarde. O presidente estadual do PPS, deputado federal Rubens Bueno, também confirmou o convite a Cheida. A palavra agora está com ele.
Cheida deixou o PT exatamente no dia em que completou 17 anos de filiação. O partido continua na mesma toada, assim não se ganha eleição e se ganha não há condições de governar, criticou o ex-prefeito ontem sobre o dilema da maior legenda de esquerda do País. Ele disse que, como consequência deste comportamento, o PT, que está estruturado há duas décadas no Paraná, está sem um candidato ao governo do Estado para as próximas eleições. Quando foi eleito prefeito em 92, Cheida enfrentou severas críticas de membros do partido por aproximações feitas com partidos de direita, inclusive com o PFL.
Questionado sobre sua aproximação com o PMDB, Cheida disse que recebeu o convite do próprio Requião. O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, também convidou o ex-prefeito. Cheida insistiu que, por enquanto, permanece sem partido. Ele defendeu a formação de uma frente progressista para as próximas eleições municipais. Esta aliança, segundo definiu, poderá envolver inclusive o PSDB. Ninguém é imbatível. Muita coisa vai acontecer ainda, declarou Cheida, referindo-se ao prefeito Antonio Belinati.
O senador Roberto Requião ficou sabendo da decisão de Cheida através da reportagem da Folha. Segundo o senador, o projeto do PMDB para as eleições municipais passa por candidatos com perfil de centro-esquerda. De nada vale ganhar se não há compromisso com a classe mais pobre. Defendemos geração de empregos e apoio às empresas locais, afirmou o senador. Sobre Cheida, Requião disse que, como ex-petista, o ex-prefeito tem nitidamente uma preocupação social.
Para o presidente do diretório municipal do PT de Londrina, Glauco Ramos, o partido perde muito com a saída do ex-prefeito. Ramos disse que o fato pode estar ligado ao interesse do ex-deputado federal Nedson Micheletti em disputar as eleições como candidato a prefeito do partido.Ex-prefeito de Londrina pretende participar da disputa do ano que vem através de uma frente de centro-esquerda
Arquivo FolhaAliança, simCheida: O Partido dos Trabalhadores continua na mesma toada. Assim não se ganha eleição e não há como governar





