O ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida (PMDB) vai assumir a presidência da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) a partir de 1º de janeiro de 2001, na equipe do prefeito eleito Nedson Micheleti (PT). A definição ocorreu ontem à tarde, com a indicação oficial do PMDB. ‘‘O partido tinha que participar com o que tinha de melhor. E o Cheida é um quadro excelente, especialmente no meio ambiente’’, elogiou o presidente do diretório municipal do PMDB, João Mendonça.
Cheida confirmou o convite à Folha e disse que será uma honra participar do novo governo. Revelou também que já tinha conversado duas vezes com Nedson sobre a AMA. ‘‘O convite foi feito e eu aceitei. Inclusive será algo inusitado, um ex-prefeito ser secretário. E estou bastante tranquilo porque sei que vou participar de um governo honesto e bem intencionado’’, afirmou o ex-prefeito, candidato derrotado no primeiro turno das eleições de outubro.
Prefeito de Londrina de 93 a 96, época em que era filiado ao PT, Cheida saiu do partido após uma ferrenha disputa interna entre os grupos dele e do ex-deputado federal Paulo Bernardo (PT) – que também integrará a equipe de Nedson na secretaria da Fazenda. O ‘‘racha’’ ficou evidente nas prévias para as eleições de 96, quando Cheida apoiou Nedson para concorrer à sucessão, mas o partido acabou escolhendo Paulo Bernardo. No segundo turno, disputado entre Antonio Belinati (na época PDT) e Luiz Carlos Hauly (PSDB), Bernardo optou pelo pedetista enquanto Cheida apoiou o tucano.
‘‘Com o Nedson eu nunca tive problema: ele foi meu coordenador da campanha de 92, esteve na minha administração (presidência da Cohab), foi meu candidato a deputado federal e, depois, foi meu candidato a prefeito, para minha sucessão’’, lembrou Cheida. ‘‘Com relação ao Paulo (Bernardo), nossa convivência será absolutamente profissional’’, completou.
Cheida lamentou que hoje a AMA esteja sucateada e sem credibilidade – sobretudo por ter sido pivô, junto com a Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), dos escândalos de corrupção da administração do prefeito cassado Antonio Belinati (sem partido). ‘‘É uma autarquia que tenho muito carinho. Fui eu quem a idealizei, criei, e hoje vejo que temos muita coisa a fazer’’.
O ex-prefeito – que além de médico é professor de ecologia há 25 anos, com livros publicados na área – adiantou que a primeira ação que pretende tomar à frente da AMA será colocar a autarquia em condições de funcionamento, já que hoje há problemas até para comprar pneus. Ele também elegeu o combate às fontes de poluição como prioridade. ‘‘O lixo, por exemplo, é a parte mais visível do problema ambiental. Mas não é o maior problema. O maior problema são as fontes de poluição, que fazem com que as pessoas adoeçam e até morram em nossa cidade. Por isso precisamos ter uma atuação forte, de polícia, para coibir esse problema.’’

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