Prefeito de Londrina entre 1993 e 1996, quando ainda estava no PT, o médico Luiz Eduardo Cheida, agora no PMDB, quer repetir a dose. Candidato da Coligação Londrina Para Todos, ele diz que ser adepto de uma campanha simples, usando principalmente os métodos tradicionais – só de comícios estão programados mais de 90. ‘‘O corpo-a-corpo é o fundamental, nada substitui isso’’, justifica.
Falando ainda da campanha, Cheida, de 46 anos, acredita que as denúncias de corrupção na administração municipal que estão sendo investigadas pelo Ministério Público não devem ser esquecidas, mas tratadas de forma educativa. ‘‘É fundamental que esse tema não seja esquecido, nós não podemos reincidir no mesmo erro’’, afirmou, sobre o escândalo AMA-Comurb.
Cheida tem como candidato a vice Wanderley Batista da Silva, do PTB, mesmo partido da vice-governadora Emília Belinati, mulher do prefeito cassado e afastado Antonio Belinati (PFL). O candidato já declarou que dispensa o apoio da vice-governadora na campanha. ‘‘Quero que ela cuide bem do Estado que para nós já vai ser uma coisa muito boa’’, ressaltou.
Quando foi candidato a prefeito pela primeira vez, Cheida enfrentou uma eleição difícil, derrotando Wilson Moreira no segundo turno. Para outubro, ele também espera uma disputa acirrada, tanto que não acredita que o pleito será definido no primeiro turno. ‘‘Não temos um candidato preferencial hoje, todos estão embolados’’, analisou.
Como propostas de governo, Cheida cita três áreas que considera prioritárias: combate ao desemprego, segurança e saúde. Criação de um projeto destinado a dar emprego ao jovem, formação de uma guarda municipal usando pessoal da Frente de Trabalho e a ampliação do programa médico da família estão entre as suas propostas de governo.
Sem falsa modéstia, o Cheida disse que sua administração (entre 1992 e 1996) foi ‘‘o melhor governo que Londrina já teve, mas não foi o melhor governo que Londrina já viu.’’ No final de sua gestão, Cheida teve de enfrentar uma greve do funcionalismo por causa de atraso no pagamento de salário. O candidato pemedebista diz que como a maioria dos prefeitos brasileiros, teve muitas dificuldades nos últimos meses.
‘‘De todos os erros, esse talvez tenha sido o mais flagrante, porque foi um erro absolutamente administrativo’’, reconheceu, referindo-se ao atraso no pagamento do funcionalismo. Mas fez questão de dizer: em janeiro de 1996, fez um acordo salarial e concedeu uma média de 104% de aumento. ‘‘E então veio o Plano Real e a folha de pagamento ficou absurda em face à arrecadação; e dali para a frente tentamos de todas as maneiras equacionarmos para pagar e não conseguimos.’’
Nascido em Penápolis (SP), Cheida chegou a Londrina em 1970. Ele cursou Medicina na Universidade Estadual de Londrina (UEL), atividade que continua exercendo. Ele também é professor de Biologia e ecologia em escolas de 2º grau e autor de dois livros didáticos – o terceiro está para ser publicado.
Em 1979, Cheida fundou o PMDB, tendo sido membro da executiva municipal até 1982. Nesse mesmo ano, já pelo PT, foi candidato a a vice-prefeito. Em 1988, disputou a eleição e conseguiu uma vaga no Legislativo – foi o vereador mais votado, com 5.903 votos. Quatro anos depois, ainda pelo PT, se candidatou a prefeito, vencendo a eleição no segundo turno. Depois que deixou a administração municipal, em 1998, ele tentou uma vaga na Câmara Federal, mas não se elegeu.
Sobre seu retorno ao PMDB, Cheida afirma: ‘‘Eu acho que o partido que eu estava construindo, que é o PT, é num determinado tempo, não me deu mais respostas às questões que eu colocava.’’ A escolha recaiu pelo PMDB, segundo ele, por se tratar também de um partido popular.
A entrevista com Cheida encerra a série da Folha com os cinco candidatos a prefeito de Londrina. Entrevistas com candidatos a prefeituras de Curitiba e de outros municípios continuarão a ser publicadas nos demais dias.

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