Cheida admite que pode disputar o governo do Estado
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segunda-feira, 29 de setembro de 1997
Patrícia Zanin Londrina 
O ex-prefeito de Londrina, Luiz Eduardo Cheida, admitiu ontem que pode ser candidato ao governo do Estado pelo PT se o quadro continuar evoluindo dessa forma. Como evolução na política do Paraná, ele relaciona a falta de disposição de Álvaro Dias em disputar o governo do Estado até o momento, e também a do senador Roberto Requião, além da hegemonia de uma frente de partidos proposta pelo governador Jaime Lerner (PFL). Anteontem, Lerner pregou a união dos tucanos em torno de seu nome.
Para Cheida, a candidatura própria do PT ao governo do Estado, proposta domingo no encerramento do encontro estadual do partido, em Cascavel, é uma resposta da oposição à hegemonia do chapão. Forçosamente ele (Lerner) causa uma reação na oposição. Funciona como a lei da Física: toda ação provoca uma reação. Com sentido contrário e com a mesma intensidade, disse.
Ele disse que o PT sai na dianteira nas conversações com os partidos de esquerda como o PMDB, PV, PCdoB, PPS, PDT e dissidentes do PSDB. Não vamos esperar a decisão dos outros e sim tomar a ofensiva, explica. O nome de Cheida é um dos mais cotados para a candidatura própria do PT. Ele diz que sua prioridade é uma candidatura parlamentar (ainda não definida se na esfera estadual ou federal), mas admite pode encarar a disputa para o governo do Estado caso o quadro político se mantenha como está. Meu nome é um deles, mas temos vários outros no partido, faz questão de frisar.
Segundo Cheida, a proposta de uma candidatura própria foi dele, para quem, paralelo à discussão com as esquerdas, deve-se garantir a composição de um plano de governo. O atual governo desagrada não só os partidos, mas amplos setores da sociedade paranaense, como entidades de classe, movimentos e lideranças, acredita ele, que é secretário da executiva estadual do PT.
O ex-prefeito (foto) defende uma proposta real para contrapor ao governo de fantasia de Lerner. Ele acredita que a oposição deve adotar um discurso de retomada do desenvolvimento social do Estado que inclua, necessariamente, um retorno da política agroindustrial. Falando como candidato, Cheida acusa o governo de promover uma loteria com a vinda de empresas do setor automotivo, que fará do Estado um saco de gatos com investimentos desencontrados. Ele cita o investimento de US$ 400 milhões a uma indústria de automóveis que, segundo o governo, irá gerar 800 empregos. Com o mesmo valor, seria possível criar 25 mil empregos diretos e permanentes no campo. Uma relação estupidamente desfavorável. Ele também defende a moralização administrativa do governo do Estado.


