Cheida aceita ser candidato, mas impõe leque de alianças
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sexta-feira, 17 de outubro de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
Arquivo FolhaLançamentoO ex-prefeito Cheida aceita e provoca deputados petistas: A vontada da maioria é a que valeO ex-prefeito de Londrina Luiz Eduardo Cheida disse ontem que aceita ser o candidato do PT ao governo do Estado em 98, mas com duas condições. O partido deve trabalhar para a formação de um frente única de oposição ao governador Jaime Lerner (PFL) e não poderá haver veto a nenhuma sigla que queira integrar o grupo.
Se não flexibilizarmos, as coisas para Lerner ficarão fáceis, avalia. Cheida defende acordo político com o senador Roberto Requião (PMDB), com o presidente da Telepar, ex-governador Álvaro Dias (PSDB), e com tradicionais partidos de esquerda (PCB, PC do B, PPS, PSB), inclusive o PDT que desgarrou-se de Lerner.
O ex-prefeito foi alvo de pressão da direção estadual nos últimos dias. A cúpula aproveitou a inauguração da nova sede do PT em Londrina, ontem, para forçar a decisão. Cheida admite que a sua vontade mesmo é ser candidato a deputado estadual e a disponibilidade em ser o cabeça de chapa só se oficializará com consulta ao diretório, no encontro nos próximos dias 22 e 23 de novembro, em Maringá.
Ele diz não temer ainda as reações internas do próprio PT. Os três filiados do partido, que integram a bancada federal, têm a liberdade de protestar. Mas vontade da maioria é que vale, provoca. A ironia de Cheida é endereçada aos deputados federais Paulo Bernardo, Nedson Michelleti e Roque Zimmermann. Eles demonstraram ojeriza à postura assumida pelo diretório regional em defesa do chapão Requião (governador), Cheida (vice) e Álvaro (Senado).
O ex-prefeito afirma que coligação com o PMDB e PSDB não implica nas posturas do PT assumidas nacionalmente. Não há incoerência alguma. No Acre e na Bahia PT e PSDB caminham juntos. Por que não aqui?, indaga. Cheida entende que só não evoluiu mais as costuras com as duas siglas porque ainda não se esboçou uma oportunidade. Se o Requião e o Álvaro estiverem dispostos a conversar, vamos dialogar. Não podemos ir com posições fechadas, nem com nomes defindos para cargos. Articular é uma coisa, conseguir o entendimento político é outra bem diferente, pondera.
O lançamento de Luiz Eduardo Cheida ao governo pode aliviar a cúpula do PT - o ex-prefeito é o nome com mais densidade eleitoral tendo feito em 92 cerca de 95 mil votos em Londrina - mas desagrada os deputados federais e estaduais que trabalham pela reeleição em 98. Há um entendimento extraoficial de que Cheida estaria apenas fazendo jogo de cena ao se colocar como pré-candidato. O artifício lhe renderia mídia até o ano que vem quando finalmente formalizaria sua intenção em disputar uma cadeira na Assembléia.


