Depois de seis mandatos como deputado federal, em 32 anos, e três derrotas consecutivas para a Prefeitura de Londrina, o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB) descartou ontem qualquer possibilidade de retornar a uma próxima disputa pela chefia do Executivo londrinense. ''Creio que cheguei ao limite da minha possibilidade de tentativas. Agora o PSDB tem que construir um novo nome e trabalhar por essa candidatura'', declarou.
A entrevista concedida à Folha por Hauly aconteceu ontem à tarde, véspera de ele retornar a seu gabinete, em Brasília (DF), e um dia depois do resultado que o excluiu do segundo turno da eleição municipal. O tucano ficou com 63.877 dos votos válidos ou 23,94%, contra os 27,22% de Nedson Micheleti (PT) e os 32,10% de Antonio Belinati (PSL).
Hauly adiantou que a reeleição ao Parlamento está nos planos para 2006, ano ainda em que, segundo ele, o PSDB deve lançar novamente chapa própria para o Senado e o governo do Estado. Entretanto, o ex-candidato a prefeito sinalizou com a chance de novidades: ''Vai depender da discussão que nós teremos. Vou aguardar a decisão das executivas Nacional e Estadual. Foram elas que definiram meu nome para essa eleição, junto com a de Londrina, e cabe a mim cumprir a orientação partidária'', observou. ''Nem que isso signifique uma disputa para o Senado''.
O deputado analisou o primeiro turno que passou como uma campanha ''de alto nível'' e acredita ter dado a sua contribuição para isso. ''Fiz boas propostas para os mais diversos setores e caminhei pela cidade toda. Infelizmente, não deu'', lamentou, admitindo que a vitória só lhe estaria assegurada mesmo se computados somente os votos das seções eleitorais do Centro de Londrina. Durante a apuração das urnas da região, Hauly chegou até a figurar à frente de Nedson e Belinati. ''O desempenho poderia ter sido melhor se a população entendesse a necessidade de uma mudança com qualidade. Estamos resignados'', assegurou.
Sobre a terceira derrota, Hauly negou que ela tenha ocorrido por algum erro de estratégia, e sim pelo fato de ter disputado com um ex-prefeito e com um candidato à reeleição. ''Isso dá uma dimensão muito maior do que se fosse qualquer outro candidato'', explicou. De acordo com ele, os argumentos seriam diferentes para explicar as derrotas em 1996 para Belinati e em 2000, quando liderou as pesquisas de intenção de voto, mas sequer foi ao segundo turno. ''Na de 96, perdi por conta do (ex-governador) Jaime Lerner (à época, no PFL do ex-prefeito), aí me massacraram. Foi o maior aporte de recursos econômicos tático-técnicos da história política de Londrina'', justificou. Na de 2000, o motivo teria sido, na avaliação de Hauly, o crescimento do PT em todo o País. ''Foi uma eleição muito doce, suave, e dentro desse contexto favorável aos petistas'', frisou.
O tucano disse que nem o PT nem o PSL o haviam procurado em busca de apoio. A inércia também foi apontada na escolha de um nome por parte dele, na condição de eleitor em Londrina. ''Enquanto não houver a cicatrização de algumas feridas, será difícil tomar algum posicionamento'', resumiu, abrindo espaço para a chance de negociação. ''Vai depender de muita conversa'', ressalvou, lembrando que a diretriz do PSDB nacional de ser foco de oposição ao PT dificulta, mas não impossibilita um possível acordo com o grupo de Nedson. ''Esse é um complicador que analisaremos com muito carinho, mas o interesse da cidade vem antes do partidário''. E os ataques dirigidos ao petista na campanha? ''Só mostrei o que ele podia ter feito por Londrina e não fez. São considerações políticas, não pessoais'', finalizou.

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