Chegou o fim de uma era, diz Lula
Chegou o fim da era do câmbio sobrevalorizado, dos juros altos e das importações predatórias, defendeu ontem Luiz Inácio Lula da Silva durante entrevista coletiva convocada para marcar a posição da União do Povo Muda Brasil (PT, PDT, PSB, PCB e PCdoB) contrária à maneira como o governo vem conduzindo a política econômica brasileira.
Lula voltou a defender um programa de investimentos na agricultura e na produção industrial como única possibilidade de garantir a estabilidade e a moeda. Para o candidato da frente de oposição a Fernando Henrique, a população pobre seria a mais prejudicada pelo agravamento da crise do mercado internacional.
Ao referir-se aos reflexos provocados no Brasil pelas turbulências internacionais, o candidato sugeriu que o presidente Fernando Henrique assuma sua responsabilidade e tenha uma conversa franca com o País para mostrar o caminho espinhoso em que estamos pisando. Ele previu que o pior pode acontecer. E somente quem tem controle e pode evitar isso é o governo, observou. A oposição não tem acesso a nenhum mecanismo para tomar medidas.
Pelegos Ontem em Brasília, Lula criticou a Força Sindical por estar apoiando a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A Força Sindical diz que defende os trabalhadores e está do lado dos algozes do trabalhador brasileiro. Essa gente é pior do que pelego. É traidora dos interesses da classe trabalhadora brasileira, disse Lula. Ele participou de um encontro com sindicalistas, organizado nos últimos três dias, que foi um contraponto à reunião semelhante realizada na sexta-feira passada para apoiar FHC.
Lula afirmou que nunca um presidente tratou o dirigente sindical com tanto descaso como FHC. É porque ele é orgulhoso, metido e só conversa com quem gosta dele, com quem concorda com ele. Nunca chamou o movimento sindical para conversar. Chamou a Força Sindical para lamber as botas dele, disse.
Lula criticou a atuação social do governo. O José Serra (ministro da Saúde), quando foi do Planejamento, sentou com a bunda em cima do dinheiro e agora quer parecer o paladino da saúde, afirmou. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, afirmou que Lula começou a perder a linha.Dida Sampaio/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Batendo forteLula é abraçado por crianças ao chegar em Brasília: críticas ao governoDas Agências





