Rio No momento em que o caso Waldomiro Diniz expõe o envolvimento dos bicheiros com bingos e máquinas de jogo no País, os chefes da contravenção mais uma vez reinaram no carnaval carioca. Na segunda e última noite de desfile do Grupo Especial, estavam na avenida, entre outros, o presidente da Liga das Escolas de Samba (Liesa), Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, Aniz Abrahão David, o Anísio, presidente do conselho, e Waldemir Paes Garcia, o Maninho.
Em 1993 os três foram condenados a seis anos de prisão por formação de quadrilha pela então juíza e hoje deputada federal Denise Frossard. Em dezembro de 1996, já estavam todos soltos. Foram retomando a frente da contravenção e, segundo o ex-procurador geral de Justiça e deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), dedicaram-se também ao lucrativo negócio das máquinas caça-níqueis e bingos.
Alguns bicheiros garantem o poder em suas áreas atuando como patronos das escolas de samba e estão à frente da organização dos desfiles, ao lado de presidentes das escolas sem envolvimento com a contravenção. Maninho, por exemplo, comanda o Salgueiro. Anísio, a Beija-Flor de Nilópolis.
Na Passarela do Samba, é inevitável também o encontro de políticos e contraventores. Na segunda-feira à noite, Guimarães recebeu o prefeito César Maia (PFL) com um abraço. ''As relações da prefeitura são com a Liesa e não com pessoas físicas. A Liesa tem sido extraordinariamente competente na gestão do desfile, se superando a cada ano'', disse Maia. Ele reiterou sua posição contrária a jogos, ''inclusive as loterias da Caixa Econômica Federal''.

mockup