Chefe do BC nega má vontade em quebra de sigilo bancário
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terça-feira, 05 de setembro de 2000
Rosa Costa Agência Estado De Brasília 
O chefe do Departamento de Supervisão Direta do Banco Central (BC), Paulo Sérgio Cavalheiro, disse ontem que nunca houve má vontade ou negligência com relação à quebra do sigilo bancário de pessoas e empresas envolvidas no desvio de R$ 169 milhões das obras do Fórum trabalhista de São Paulo. A declaração foi dada na Subcomissão Permanente do Judiciário do Senado, que o convidou para que respondesse às procuradoras do Ministério Público (MP) de São Paulo, Maria Luísa Duarte, Isabel Groba e Janice Ascari.
Cavalheiro atribuiu a situação a um mal-entendido. De acordo com as procuradoras, o BC estaria agindo com lentidão no rastreamento dos cheques usados no pagamento da obra superfaturada. Segundo ele, um dos problemas decorreu da necessidade de obter a autorização da Justiça para examinar depósitos de pessoas não-citadas nos pedidos. Outra dificuldade, segundo ele, foi de comunicação. As procuradoras pediam uma coisa e os funcionários entendiam de outra forma. Ele previu que até a próxima semana ficarão prontos os pedidos feitos pelo MP.
Cavalheiro informou que foram analisados mais de cinco mil documentos referentes ao período de 1992 a 1998, fornecidos por 11 bancos. Foram rastreadas as contas da construtora Incal Incorporadora, do Grupo Monteiro de Barros, do proprietário desta empresa, Fábio Monteiro de Barros Filho, e do diretor da Incal José Eduardo Teixeira Ferraz.
A líder do bloco da oposição, Heloísa Helena (PT-AL), não gostou do depoimento. Segundo ela, o que resta de concreto nesse caso é que sumiram mais de R$ 200 milhões depositados numa conta do Banco do Brasil e, até agora, o BC não sabe quem se beneficiou desse esquema fraudulento.
Apenas seis senadores estavam presentes. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) relacionou a ausência do relator José Jorge (PFL-PE) a uma tentativa de adiar a votação do requerimento em que ele propõe que o ex-ministro-chefe da Casa Civil Clóvis Carbalho seja convidado pela subcomissão. Simon quer que Carvalho informe se comentou com o presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o crédito suplementar de R$ 25 milhões para as obras do Fórum, encaminhado pelo então ministro interino do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares, hoje titular da pasta.


