Chefe de gabinete teria pedido bloqueadores
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quarta-feira, 23 de março de 2011
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O funcionário da Assembleia Legislativa (AL) que solicitou a compra dos aparelhos bloqueadores de celular afirmou ontem que recebeu ordens de Sérgio Monteiro, ex-chefe do gabinete da Presidência do Legislativo estadual. Francisco Ricardo Neto, ex-coordenador técnico da Casa, foi ouvido pelos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Espionagem. O proprietário da empresa que vendeu os equipamentos, Marcos Aurélio Menestrina, também prestou depoimento e confirmou que os aparelhos não tinham finalidade de escutar ou gravar conversas telefônicas.
Ricardo Neto evitou revelar o nome de quem solicitou a compra dos bloqueadores. Por várias vezes respondeu que a demanda não teria partido de uma pessoa específica, mas seria fruto de reclamações constantes dos parlamentares sobre a ''falta de privacidade''. Somente quando foi relembrado de que estava em juramento e poderia ser responsabilizado pelo fato é que o ex-funcionário da Casa revelou o nome do ex-chefe de gabinete de Nelson Justus (DEM), presidente da AL na época em que os aparelhos foram licitados, em abril de 2010.
Ele não precisou se Justus soube da ordem de compra antecipadamente. No entanto, contou que após instalar os equipamentos - um deles na sala de reuniões do gabinete da Presidência - comunicou à secretária do deputado. Ele criticou a proporção que tomou a descoberta dos aparelhos, afirmando que, se tivesse sido procurado pela Mesa Diretora da Casa, poderia ter evitado o desencontro de informações sobre a origem ou finalidade dos equipamentos encontrados em uma varredura realizada no prédio da administração da AL.
O próximo passo da comissão será ouvir o ex-diretor-geral, que autorizou a licitação dos equipamentos, e o atual presidente Valdir Rossoni (PSDB).


