Chefe de gabinete de Beto pede afastamento
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O chefe de gabinete do Prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB), Ezequias Moreira Rodrigues, decidiu se afastar ontem do cargo. Denúncia investigada pelo Ministério Público (MP) aponta que Ezequias teria recebido durante 11 anos o salário da sua sogra, Verônica Durau, referente a um cargo de comissão na Assembléia Legislativa. Verônica, por sua vez, seria funcionária ''fantasma'' da Casa e já admitiu à imprensa que nunca trabalhou no local. O atual diretor-geral da Secretaria de Governo da Prefeitura de Curitiba, José Carlos Campos Hidalgo, assumirá o posto. Ezequias trabalhava com a família Richa há mais de 20 anos.
Em nota à imprensa, Ezequias disse que espera que seu afastamento contribua ''para o esclarecimento de todos os fatos que foram divulgados nos últimos dias''. ''Em respeito às investigações que, tenho certeza, serão desenvolvidas pela honrosa instituição do Ministério Público do Paraná, em respeito aos meus familiares, em respeito a uma história pessoal de dedicação e trabalho que construí ao longo de décadas junto a homens públicos de grande respeito no Paraná, como o prefeito Beto Richa, comunico que no dia de hoje, após conversar com o prefeito, tomei a decisão de me afastar (...)'', diz trecho.
Além da investigação que corre no MP, a Assembléia também abriu uma sindicância para apurar o caso. Até agora, sabe-se que Verônica de fato esteve lotada na Casa, de 1996 a 2000, no gabinete do então deputado estadual e hoje prefeito da Capital, Beto Richa. Após o final do mandato de Beto, no entanto, Verônica teria continuado nos quadros da Casa. Um pedido de exoneração ocorreu somente na última semana. O prefeito disse que não se manifesta sobre o caso até o fim da sindicância. Ezequias também teria trabalhado no gabinete de Beto na Assembléia.
Ontem, a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), também enviou nota sobre a situação de Ezequias na empresa. Ele entrou na Sanepar em 1983 mas depois foi cedido para outros locais. Pela denúncia protocolada no MP, Ezequias teria entrado na estatal de forma irregular, sem concurso público e sem ter nível superior - exigência do cargo. A Sanepar explicou, no entanto, que, em 1983, ainda não havia tais exigências. Trecho da nota afirma que Ezequias foi contratado ''como ocupante do cargo de Assistente Administrativo III, sendo que à época não havia exigência da prestação de concurso público, nem necessidade de formação superior. Posteriormente, o cargo foi transformado em Analista de Processos Organizacionais''.
A empresa também informou que o ''regime de disposição funcional da Sanepar é regulamentado por decreto, sendo que atualmente apenas três servidores (incluindo Ezequias) se encontram fora da empresa, ocupando funções estratégicas em outros órgãos''.


