O chefe de gabinete da reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Itaicy Wagner Mendonça, pediu exoneração do cargo de assessor especial do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa). Ele ocupava o cargo comissionado desde maio, quando foi afastado após ser acusado de se beneficiar de um contrato superfaturado da universidade com a Rádio Nova Ingá, de Maringá, pertencente ao ex-deputado federal maringaense Benedito Pinga-Fogo de Oliveira. A exoneração foi acatada no mesmo dia do pedido, quinta-feira passada. A notícia, porém, só se tornou pública ontem.
No ofício encaminhado ao reitor em exercício da UEL, Mauro Ticianelli, Itaicy alegou ‘‘motivos de ordem estritamente particular e sem coação.’’ Ele também agradeceu a oportunidade de ‘‘compartilhar, com tantos companheiros, de extensas realizações, em prol do ensino público e gratuito.’’
Itaicy não era servidor público, mas trabalhava na universidade desde julho de 1994, logo após a eleição do reitor Jackson Proença Testa. Inicialmente, ele ocupou o cargo de assessor de Planejamento e Controle da UEL. Pouco tempo depois, foi conduzido por Testa à função de chefe de gabinete.
Segundo a assessoria de imprensa da UEL, como chefe de gabinete Itaicy recebia R$ 2,4 mil. Na função de assessor especial, ganhava R$ 2,1 mil. Um professor auxiliar da UEL, em início de carreira, tem piso salarial de R$ 750,00.
‘‘Não vi razão em não aceitar. Ele (Itaicy) fez o pedido por escrito e simplesmente despachei para a Coordenadoria de Recursos Humanos (CRH)’’, afirmou Ticianelli. ‘‘A impressão que tenho é que em face às denúncias ele adotou essa atitude’’. Itaicy não foi localizado ontem pela Folha.
Para o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, a demissão de Itaicy não interfere nas investigações do Ministério Público (MP) sobre as denúncias de irregularidades na UEL. ‘‘Estamos trabalhando na caracterização de improbidade administrativa. Com a exoneração, a investigação somente perde o objeto quanto a providências administrativas’’, salientou. O depoimento do ex-chefe de gabinete ao MP está sob sigilo.
A mesma opinião tem o professor César Caggiano dos Santos, presidente da Comissão Permanente de Investigação criada pelo Conselho Universitário para apurar as denúncias. ‘‘Não muda em nada. As inúmeras denúncias são contra a administração da UEL e a renúncia ou exoneração já era prevista’’, comentou o professor.

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