No depoimento prestado ao Ministério Público (MP) de Maringá, o apresentador Márcio Mello também acusou o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Itaici Mendonça, de se beneficiar com superfaturamento de anúncios publicitários do vestibular na Rádio Nova Ingá, pertencente ao ex-deputado federal Benedito ‘‘Pinga-Fogo’’ de Oliveira. Itaici Mendonça – identificado no depoimento como ‘‘Itaici de Tal’’ – é chefe de gabinete do reitor da UEL, Jackson Proença Testa.
No depoimento, Mello não soube precisar a data, mas afirmou que entre 1997 e 1998 houve um anúncio do vestibular da UEL na rádio de Pinga-Fogo cujos ‘‘valores investidos não condiziam com a realidade de mercado (superfaturamento)’’. Segundo ele, após a veiculação do anúncio, Pinga-Fogo lhe pediu que que emitisse um cheque ao professor Itaici ‘‘referente à devolução de parte dos valores, dizendo que era uma lavagem de dinheiro para beneficiar o referido professor’’.
O apresentador de TV disse ainda que o cheque foi devolvido por falta de fundos e o professor Itaici se deslocou a Maringá para devolver o cheque e ‘‘levar o dinheiro em espécie’’. Segundo ele, o professor acabou recebendo uma importância ‘‘em torno de R$ 8 mil’’. Mello declarou: ‘‘Essa lavagem de dinheiro do professor Itaici de Tal e Pinga-Fogo foi repetida várias vezes’’. O apresentador garantiu que ‘‘somente uma vez’’ participou da transação.
Ontem à tarde, a Folha encaminhou cópia do depoimento de Mello à assessoria de imprensa da UEL. Mas Itaici não foi encontrado pela assessoria para comentar a acusação. A reportagem deixou recado no celular dele, mas ele não retornou à ligação.
Por sua vez, o ex-deputado Pinga-Fogo mandou ao jornal cópia da declaração prestada ontem de manhã à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Maringá. No depoimento ao promotor José Aparecido Cruz, o ex-deputado afirma que a declaração de que o professor Itaici teria lavado dinheiro junto à emissora Nova Ingá ‘‘é inverídica’’.
Pinga-Fogo disse ainda que apresentou anotações das agências de publicidade que contrataram sua emissora para a propaganda do vestibular, além de notas fiscais referentes à prestação de serviços. O ex-deputado garantiu, no depoimento, que ‘‘nunca autorizou Márcio Mello a emitir cheque de seu próprio punho em favor do professor ou de quem que seja a respeito da divulgação do vestibular’’.

mockup