Chefe de gabinete da UEL é acusado de obter benefício
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terça-feira, 22 de maio de 2001
Lino RamosDe Londrina 
No depoimento prestado ao Ministério Público (MP) de Maringá, o apresentador Márcio Mello também acusou o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Itaici Mendonça, de se beneficiar com superfaturamento de anúncios publicitários do vestibular na Rádio Nova Ingá, pertencente ao ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira. Itaici Mendonça identificado no depoimento como Itaici de Tal é chefe de gabinete do reitor da UEL, Jackson Proença Testa.
No depoimento, Mello não soube precisar a data, mas afirmou que entre 1997 e 1998 houve um anúncio do vestibular da UEL na rádio de Pinga-Fogo cujos valores investidos não condiziam com a realidade de mercado (superfaturamento). Segundo ele, após a veiculação do anúncio, Pinga-Fogo lhe pediu que que emitisse um cheque ao professor Itaici referente à devolução de parte dos valores, dizendo que era uma lavagem de dinheiro para beneficiar o referido professor.
O apresentador de TV disse ainda que o cheque foi devolvido por falta de fundos e o professor Itaici se deslocou a Maringá para devolver o cheque e levar o dinheiro em espécie. Segundo ele, o professor acabou recebendo uma importância em torno de R$ 8 mil. Mello declarou: Essa lavagem de dinheiro do professor Itaici de Tal e Pinga-Fogo foi repetida várias vezes. O apresentador garantiu que somente uma vez participou da transação.
Ontem à tarde, a Folha encaminhou cópia do depoimento de Mello à assessoria de imprensa da UEL. Mas Itaici não foi encontrado pela assessoria para comentar a acusação. A reportagem deixou recado no celular dele, mas ele não retornou à ligação.
Por sua vez, o ex-deputado Pinga-Fogo mandou ao jornal cópia da declaração prestada ontem de manhã à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público em Maringá. No depoimento ao promotor José Aparecido Cruz, o ex-deputado afirma que a declaração de que o professor Itaici teria lavado dinheiro junto à emissora Nova Ingá é inverídica.
Pinga-Fogo disse ainda que apresentou anotações das agências de publicidade que contrataram sua emissora para a propaganda do vestibular, além de notas fiscais referentes à prestação de serviços. O ex-deputado garantiu, no depoimento, que nunca autorizou Márcio Mello a emitir cheque de seu próprio punho em favor do professor ou de quem que seja a respeito da divulgação do vestibular.


