Curitiba - Mais um afastamento no governo do Estado por suspeita de corrupção. O diretor-geral do Departamento de Trânsito (Detran) do Paraná, Marcelo Almeida, afastou ontem o chefe da 6 Ciretran e vereador pelo PMDB em Guarapuava, Ademir Strechar, sob a alegação de que o mesmo está envolvido em denúncia de falsificação de documento público. André Emílio Machula, funcionário estatutário do Detran no Estado desde 1977, exerce interinamente a chefia da 6 Ciretran, até que as acusações contra Strechar sejam apuradas.
Na última sexta-feira, agentes da Polícia Federal (PF) e integrantes do Ministério Público (MP) apreenderam no interior da 6 Ciretran documentos referentes a processos de transferência de propriedade de caminhões, placas AJE 6958 e AJE 6959. Os policiais federais e procuradores tinham um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça.
De acordo com o mandado, assinado pelo juiz Austregésilo Trevisan, os dois caminhões, que estavam alienados em nome do banco ABN Amro Real, foram transferidos com base em documentação falsa, favorecendo a empresa Strechar's Transportes Ltda., de propriedade de Ademir Strechar.
Segundo denúncia, a assinatura do juiz Romero Tadeu Machado, da 1 Vara Cível de Guarapuava, no ofício nº 776/2003, foi falsificada. O ofício 776/2003, encaminhado à 6 Ciretran em agosto do ano passado, determinava o desbloqueio das transferências dos dois caminhões, referentes aos autos nº 071/2001 de execução de título extrajudicial, requeridos pelo banco ABN Amro Real contra a empresa de Strechar.
A Folha conversou com Strechar pelo celular ontem. Ele disse que não sabia do afastamento determinado pelo Detran, órgão hierarquicamente acima das Ciretrans, e que sua advogada estava cuidando do caso. Strechar não quis entrar no mérito da discussão nem defendeu-se das acusações.
O afastamento do chefe da 6 Ciretran é o quarto, determinado dentro do governo Roberto Requião (PMDB), nos últimos 10 dias. O chefe do Departamento de Fomento aos Municípios da Secretaria Estadual de Transportes e presidente do PMDB de Cascavel, Ivo Roncaglio, foi afastado sob a acusação de ter cobrado propina durante processo de licitação para merenda escolar, comandado pela Secretaria de Estado da Educação.
A cúpula da Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) também caiu. Segundo o ouvidor-geral do Estado e corregedor, Luiz Carlos Delazari, cerca de R$ 32 mil teriam sido desviados pelo diretor administrativo-financeiro da Suderhsa, Francisco Hermes Dias, e pelo tesoureiro do órgão, Roberto Luiz Pereira.

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