Chefe de cartório acusada pelo MP pede demissão
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terça-feira, 18 de dezembro de 2001
Lino Ramos<br>De Londrina 
A funcionária municipal aposentada, Tertuliana Bicudo Maccagnan, a ''dona Rosa'', não é mais a chefe do cartório da 41 Zona Eleitoral de Londrina. Denunciada em 31 de outubro pelo Ministério Público (MP), ela pediu demissão na última sexta-feira. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) já designou para o cargo Luciano Sodré Galves, 26 anos. Ele é servidor municipal e trabalha há mais de seis anos na 146 Zona eleitoral como auxiliar de cartório.
As especulações sobre a saída de Rosa, que ocupava cargo comissionado, começaram depois que ela foi denunciada pelo MP em uma ação criminal sobre o uso de verbas da prefeitura para a compra de marmitex. A alimentação, segundo a promotoria, teria ido para cabos eleitorais do deputado estadual Antônio Carlos Salles Belinati (PSL) e dos deputados federais Alex Canziani (PSDB) e José Janene (PPB).
De acordo com a denúncia do MP, pelo pagamento das refeições, Rosa teria recebido R$ 67 mil do ex-diretor da extinta Comurb (atual CMTU) Eduardo Alonso de Oliveira. Em seu depoimento à Promotoria de Investigações Criminais (PIC), a ex-chefe do cartório teria confirmado o recebimento.
O advogado de Rosa, João dos Santos Gomes Filho, disse que ela resolveu pedir demissão ao saber que um grupo de pessoas iria questionar o presidente do TRE, Roberto Pacheco Rocha, sobre sua permanência como chefe do cartório. ''Ela pediu demissão para preservar a lisura da Justiça Eleitoral, a qual ela serviu por 30 anos'', justificou. O advogado disse ainda que há dois meses Rosa vinha pensando na demissão, embora ele preferisse que ela fosse exonerada.
Segundo o advogado, a denúncia contra Rosa é no ''mínimo equivocada''. João Gomes argumentou que a ex-chefe do cartório só quis ajudar a irmã, dona do restaurante que entregou as marmitas. ''Lamento profundamente, mas vou provar juridicamente que houve excesso contra a dona Rosa e que a denúncia foi equivocada'', garantiu. Ele disse ainda que impetrou um habeas-corpus no Tribunal de Justiça (TJ) para tentar trancar a ação contra Rosa. Porém, o processo ''está parado'' aguardando parecer do Ministério Público Estadual (MPE).
Galves acredita que foi escolhido para a função pela sua experiência, por ser funcionário público de carreira e não ter parentes na Justiça Eleitoral.


