Curitiba – O presidente da UTC-Constran, Ricardo Ribeiro Pessoa, preso na carceragem da Polícia Federal (PF), em Curitiba, desde 14 de novembro do ano passado, e apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como "cabeça" na formação de um cartel para fraudar licitações de contratos em obras públicas da Petrobras, está perto de fechar um acordo de delação premiada.
Dirigentes de seis das maiores empreiteiras do País (UTC, OAS, Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Mendes Jr. e Engevix) são acusados pela Lava Jato de fazer parte de grupo acusado de ter cometido os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa. De acordo com o MPF, as empresas montaram uma espécie de "clube" que combinava quem ganharia contratos da Petrobras e definia as obras simulando um regulamento de campeonato de futebol. A longa permanência na prisão sem previsão de conseguir um habeas corpus, pode ter contribuído para a disposição de abrir a boca.
Essa informação foi reforçada ontem, quando advogados de outro réu do processo que tramita na Justiça Federal do Paraná, e que também foi denunciado pelo MPF solicitou, em sua defesa preliminar, a "suspensão da ação penal em relação ao denunciado, em face de procedimento incidental de delação premiada que tramita em nome do corréu Ricardo Ribeiro Pessoa", diz trecho da petição.
"Somente com pleno acesso aos elementos de prova, a defesa e o denunciado poderão compreender as razões de sua inclusão no polo passivo da ação penal e exercer a ampla defesa, o que demanda, especialmente, conhecimento de depoimentos e eventuais delações dos corréus que, segundo o Ministério Público Federal, teriam concorrido para a infração penal em conjunto com o denunciado", completa o documento.
O réu em questão é João de Teive e Argollo, diretor da UTC, e a petição protocolada ontem, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba, é assinada pelos seus advogados Leonardo Sica e Bruno Macellaro. Segundo o MPF, "João de Teive e Argollo e Ricardo Ribeiro Pessoa, enquanto sócios da UTC, tinham conhecimento a respeito da sociedade em conta de participação formada em conjunto com a GFD Investimentos Ltda., empresa pertencente a Alberto Youssef". Além de Pessoa e Argollo, também são citados na ação penal o doleiro Alberto Youssef, Enivaldo Quadrado, Carlos Alberto Pereira da Costa e Sandra Raphael Guimarães (funcionária da UTC).
"`No presente momento processual, a eventual delação do Sr. Ricardo Pessoa poderá interferir no julgamento que pende contra o denunciado, vale dizer, poderá acarretar ou impedir sua absolvição sumária", complementa os defensores de Argollo.
A reportagem entrou em contato com o MPF para questionar sobre a possibilidade de uma nova delação, entretanto, os procuradores deixaram claro que não se manifestam em relação a possíveis acordos. O advogado de Ricardo Ribeiro Pessoa, Alberto Torón, não atendeu às ligações. (R.C. J.)

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