Chefe da Casa Militar vai processar advogado
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sexta-feira, 11 de maio de 2001
Luciana Pombo De Curitiba 
O secretário-chefe da Casa Militar, coronel Luis Antonio Borges Vieira, depôs ontem na Comissão Especial criada pelo governo do Estado para, oficialmente, apurar as denúncias de escutas telefônicas ilegais no Palácio Iguaçu e em comitês políticos. No depoimento de uma hora, o coronel Vieira criticou o advogado criminalista Peter Amaro de Sousa (que defende os militares acusados de grampo na Ocidental Distribuidora de Petróleo) e informou que ingressou na Justiça contra ele por calúnia e difamação. Sousa disse há alguns dias, em entrevista coletiva, que Vieira era um coronel corrupto, desonesto e irresponsável. A ação deverá tramitar pela Segunda Vara Cível de Curitiba.
O coronel, no entanto, não atacou os seus ex-subordinados. Ele chegou a defender o cabo Luiz Antonio Jordão (que o acusou de ter conhecimento da existência de grampos no Palácio Iguaçu e em órgãos públicos e ser omisso). Ele não tem informação técnica para fazer varreduras. Ele nunca fez isto. Entrava em contato com a Telepar e os funcionários da empresa realizavam o serviço, argumentou.
Vieira negou que tivesse conhecimento de grampos em órgãos públicos. E disse que o cabo Jordão pode ter se referido a uma suposta omissão no caso dos equipamentos encontrados no quarto andar do Palácio Iguaçu, sob responsabilidade do técnico em telefonia, Gilberto Maria Gonçalves (acusado de ser o principal responsável pelos grampos). Ele e o coronel Reinaldo Hamilton Machado localizaram esta sala. Mas nunca fui informado do que tinha dentro da sala. Isto me faz pensar que nada importante ou de destaque tenha sido de fato encontrado pelos militares, argumentou ele.
Com base nesta declaração, os representantes da comissão convocaram para terça-feira, às 9 horas, o depoimento do coronel Machado. Para segunda-feira estão previstos os depoimentos da ex-secretária de Estado da Administração, Maria Elisa Paciornik e do instalador João Batista Cordeiro (ex-funcionário da operadora de telefonia GVT).
A comissão que ouviu o depoimento do coronel Vieira é composta por representantes do próprio governo do Estado (o secretário de Estado da Segurança Pública, José Tavares; o procurador-geral do Estado, Joel Coimbra; o delegado Marco Antônio Lagana; e o comandante do Policiamento da Capital, coronel Aramis Serpa), e do Ministério Público (o promotor de investigações criminais, Vani Bueno).


