Na véspera do maior movimento de protesto contra o governo já organizado na Venezuela, o presidente Hugo Chávez, em seu programa dominical que vai ao ar no rádio e na emissora estatal de televisão, saudou o presidente Fernando Henrique Cardoso e o candidato do PT à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva. ''Saúdo o candidato à presidência do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva, com quem estive esta semana. Saúdo o presidente Cardoso, saúdo o povo brasileiro e desejo o melhor para o Brasil, hoje, amanhã, sempre'', disse o presidente Chávez, no início de seu pronunciamento.

No programa ''Alô, Presidente'', Chávez disse que a integração entre Brasil e Venezuela foi um dos temas de seu encontro com Lula e considerou imprescindível a aproximação entre os dois países. Ele citou o encontro de mais de quatro horas com Lula, na última sexta-feira, na residência oficial da presidência.

Descontraído, sorridente, Chávez falou durante duas horas, ao vivo, do Arco de la Federación, sentado à uma mesa, ao ar livre. Intercalava o discurso com o atendimento por telefone de pessoas que usavam o sistema de ligação gratuita. As ligações não são só elogiosas, mas de ataques indignados aos opositores.

O presidente enfrenta hoje uma manifestação que promete parar o país durante 12 horas. O empresariado, os grandes proprietários de terra, os trabalhadores filiados à Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) e os principais meios de comunicação venezuelanos são os grandes opositores de Chávez.

O ex-presidente da Venezuela Carlos Andrés Pérez afirmou ontem que o movimento que pretende parar o país marcará o início de uma ''crise irreversível'' no governo, o que acabará levando à saída de Chávez. Da República Dominicana, Pérez deu entrevista ao canal de notícias Globovision, para explicar declarações publicadas na imprensa dominicana de que estaria pronto a liderar um possível governo de transição depois da saída de Chávez.

''Fui questionado se aceitaria assumir uma frente de transição. Eu disse que aceitaria, mas que não tenho nenhuma aspiração para voltar à vida política na Venezuela'', afirmou o ex-presidente. Foi contra o governo Andrés Pérez que, em 1992, o então tenente-coronel do Exército venezuelano Hugo Chávez tentou um golpe. Frustrada a operação, Chávez foi preso, mas não desistiu de chegar ao poder. Em 1998, foi eleito com quase 60% dos votos.

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