Chávez propõe a FHC acordo na área petrolífera
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quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
Agência Estado 
No encontro que manteve ontem com o presidente Fernando Henrique Cardoso em Brasília, o presidente-eleito da Venezuela, Hugo Chávez, propôs que as empresas estatais petrolíferas dos dois países estabeleçam um acordo de cooperação que as permitam atuar por intermédio de uma empresa mista bilateral que poderia se denominar Petroamérica. A cooperação na área petrolífera seria apenas parte de entendimentos que Chávez gostaria de ver prosperar, na direção de uma maior integração do Brasil e da Venezuela na área energética. Segundo ele, o presidente manifestou interesse em ampliar as iniciativas em curso nessa área, que incluem o abastecimento do Amazonas com energia elétrica proveniente da usina venezuela de Guri.
Em visita ao Brasil, Chavez também pediu o apoio de FHC para viabilizar a inclusão do seu país entre os membros efetivos do Mercosul, bloco hoje formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Após o encontro com o presidente tucano, Chavez afirmou que Fernando Henrique foi receptivo à proposta e que o apoio brasileiro será decisivo para a entrada da Venezuela no Mercosul. Em um primeiro momento, explicou, seu país poderia entrar como sócio.
Líder de uma tentativa fracassada de golpe em 1992, Hugo Chavez reconheceu que a Venezuela ainda não vive uma democracia. Democracia não existe na Venezuela há muito tempo, afirmou. O presidente eleito prometeu promover um referendo popular para discutir a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte, para mudar as leis constitucionais de seu país. O plebiscito será feito se até o próximo dia 14 de fevereiro não houver nenhuma iniciativa do Congresso. Se não houver tal iniciativa, firmarei o decreto do referendo popular no dia 15 de fevereiro, adiantou.
Em entrevista, Chavez comentou que entre os temas que conversou com o presidente FHC estava a necessidade de mudanças no modelo econômico da região. A melhor política social não é a econômica, mas a que resolva as necessidades básicas da população, que não são privatizantes, disse.


