Faixa do Orinoco, Venezuela - Os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Argentina, Néstor Kirchner, lançaram ontem o processo de certificação das reservas de petróleo que ficará a cargo da empresa argentina Enarsa na faixa do Rio Orinoco, num ato em que também foram assinados outros acordos comerciais e financeiros.
Ambos os países relançaram também sua aliança política com uma declaração de Kirchner, que considerou ''um erro absoluto'' que se diga que ele e o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), devem ''conter Chávez''.
''Dizem que alguns países devem conter outros, que Lula e eu temos de conter Chávez. É um erro absoluto, construímos com o irmão e presidente Chávez o espaço de integração na América do Sul para a dignidade de nossos povos'', afirmou Kirchner.
Chávez agradeceu ''em nome de todos nós, porque o império não se cansa de tentar semear discórdia entre os presidentes da América Latina''.
''Em Buenos Aires, alguns dizem que não convém a relação da Argentina com Chávez. Estou seguro de que esses são os que se entregaram ao império'', acrescentou o mandatário venezuelano.
No início de fevereiro, estiveram em Buenos Aires o subsecretário de Assuntos Políticos dos Estados Unidos, Nicholas Burns, e o secretário-adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Tomas Shannon.
Shannon definiu como ''muito ruim'' a relação dos Estados Unidos com a Venezuela, mas assegurou que a boa relação mantida por Argentina e Venezuela não vão obscurecer o vínculo de Buenos Aires com Washington.
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, realizará de 8 a 14 de março uma viagem pela América Latina, que o levará a Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.
Na certificação de reservas na Faixa do Orinoco participam também a Petrobras, a uruguaia ANCAP, a iraniana Petropar, la russa Gazprom, a indiana ONGC, a espanhola Repsol YPF, a chinesa CNPC e a russa Lukoil, entre outras.
Kirchner e Chávez, acompanhados de seus ministros, assinaram vários acordos econômicos, entre os quais se destacam um apoio financeiro de parte do banco venezuelano Bandes à cooperativa argentina Sancor e a constituição do Banco do Sul, que a princípio terá a participação só dos dois países.

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