Chávez apela para reeleição de Lula
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quinta-feira, 20 de abril de 2006
Andréa Bordinhão e Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba Lula é o herói do Brasil. A afirmação do presidente da Venezuela Hugo Chávez, ontem em Curitiba, justificou o apelo, não explícito, que fez pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Chávez pediu aos cerca de 1,5 mil representantes da Via Campesina, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e sidicalistas que ocuparam a platéia do Teatro Guaíra, onde discursou por mais de uma hora, que não deixem um presidente de direita assumir o governo no Brasil no próximo ano. Não devolvam o governo para a direita, para que tenhamos que nos ajoelhar perante o império norte-americano (referindo-se aos Estados Unidos). Seria um golpe não só para o Brasil, mas para a Venezuela e para o projeto de união da América do Sul e integração da América Latina, disse.
Chávez chegou pela manhã em Curitiba e seu primeiro compromisso foi com empresários no Palácio Iguaçu, para os quais falou por cerca de uma hora. Por volta do meio-dia o presidente venezuelano encontrou os membros dos movimentos sociais acompanhado do governador Roberto Requião (PDMB).
Durante o evento, que não estava previsto na agenda do presidente da Venezuela, Requião e Chávez assinaram o Manifesto das Américas em Defesa da Natureza e da Diversidade Biológica e Cultural. O documento, elaborado pelo teólogo e escritor Leonardo Boff, destaca a responsabilidade universal do continente americano para o futuro da Terra e defende a conservação da diversidade biológica e cultural dos povos. O manifesto também combate a introdução de organismos transgênicos no ambiente e das sementes terminator, e se opõe ao Acordo de Livre Comércio das Américas (Alca) e a tratados bilaterais ou outros que não tenham a participação popular na Organização Mundial do Comércio (OMC).
A reunião de última hora, aliada ao atraso no vôo do presidente, quebraram todos os protocolos. O encontro, com início previsto para 8h30, só aconteceu às 13 horas. Nesse tempo, o coordenador Nacional do MST, João Pedro Stédile, e a cantora Beth Carvalho, que vieram para o evento, reabasteceram a paciência dos militantes. De manhã, no encontro com empresários, Chávez recebeu uma camisa da seleção do Brasil com o seu nome e o número 10 estampados.
À tarde Chávez deu uma entrevista coletiva à imprensa. Chávez ficou cerca de uma hora respondendo às perguntas que puderam ser feitas apenas pela TV Educativa, do governo do Estado, e pela imprensa venezuelana que o acompanhava no Brasil. Réplicas às perguntas também não foram permitadas e só havia tradução do português para o espanhol e não
vice-versa.
Durante os encontros que manteve no Brasil ontem, Chávez criticou bastante os Estados Unidos, reforçou a necessidade dos países da América Latina resistirem à política neoliberal e se oporem ao capitalismo, defendeu o socialismo como solução para o planeta, criticou a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) e os Tratados de Livre Comércio (TLC) fechados com alguns países sulamericanos, reforçou a extensão da Alternativa Bolivariana para a América (Alba), um tratado de integração entre seu país e em Cuba, para os demais países latino-americanos e incentivou ações de cooperação entre o Brasil e a Venezuela.
Chávez esteve no Paraná para fechar acordos comerciais com o governo do Estado e fomentar a negociação entre empresários dos dois países (leia mais na Folha Economia) e hoje deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Brasília.


