O depoimento dado anteontem pelo jardineiro Valmir Pereira Campos ao juiz da 1ª Vara Criminal de Maceió (AL), Daniel Acioly, provocou uma reviravolta no processo sobre o assassinato da deputada Ceci Cunha e de três parentes dela, em 16 de dezembro passado. Campos reconheceu o pistoleiro Maurício Novaes, o Chapéu de Couro, como sendo um dos três homens que estavam no Fiat Uno cinza que foi utilizado na chacina. Isso levou o promotor Márcio Roberto Tenório a transformar Chapéu de Couro de testemunha de acusação a réu no caso.
Segundo o jardineiro, Chapéu de Couro estava sentado no banco da frente do Uno quando foi iniciada a fuga dos envolvidos no assassinato. Ele contou que o Uno chegou a bater em sua bicicleta a menos de 50 metros do local do crime, mas que nada declarou antes por orientação de um de seus patrões, o ex-procurador-geral do Estado Heraldo Bulhões. Segundo ele, Bulhões o orientou a não dizer nada para não morrer.
O jardineiro não foi o único a reconhecer Chapéu de Couro, que estava preso em Aracaju (SE) e teve prisão preventiva decretada pelo juiz, após o depoimento de Campos. O genro de Itala Maranhão Pureza, que morreu na chacina, Luciano Gomes Pereira, afirmou ao juiz que o caseiro José Ramalho também disse a ele que um dos homens que invadiram a casa da irmã da deputada no dia da chacina era Chapéu de Couro. O vigia trabalha em uma casa vizinha à da irmã da deputada, onde aconteceu a chacina.
Com os fatos novos de sexta-feira, o juiz decidiu reinterrogar o deputado federal Augusto Farias (PPB-AL), que havia prestado depoimento na manhã de sexta-feira e acusado o deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL) de ter tramado a morte dele para ficar com o mandato, já que ele era primeiro suplente. Albuquerque é apontado pela polícia como mandante da chacina na qual morreu a deputada Ceci Cunha (PSDB-AL). Os advogados de Albuquerque estudavam ontem a possibilidade de acusar Augusto Farias pelos crimes, já que o deputado se encontrou com Chapéu de Couro e chegou a gravar conversas telefônicas entre o pistoleiro e Albuquerque. ‘‘Estamos diante de novos elementos, que obrigam novas investigações policiais’’, afirmou o promotor Tenório.
Na versão policial enviada à Justiça, a polícia coloca quatro assessores de Talvane - que terá a cassação de seu mandato julgada no próximo dia 7 pelo plenário da Câmara dos Deputados - como os autores materiais do crime. Os quatro estão presos.
Chapéu de Couro, que depôs anteontem ao juiz, afirmou que não participou do crime e que estava em Juazeiro (BA) no dia da chacina.

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