A atual enxurrada de chapas familiares é uma reação das grandes oligarquias, que sempre dominaram a cena política no Norte e Nordeste do País, mas perderam espaço nas últimas décadas. Esta é a avaliação do historiador José Octavio de Arruda Mello, professor aposentado da Universidade Federal da Paraíba e um dos maiores estudiosos das oligarquias nordestinas.

''Eles já não têm o mesmo poder e julgam que foram traídos pelos aliados'', explica. ''Então recorrem à família, um núcleo fechado e de controle mais fácil, para garantir a sobrevivência do grupo político.'' Segundo ele é nessa situação que o nepotismo recrudesce e se legitima com certa facilidade no interior do País.

Já para o cientista político da USP, Gildo Marçal Brandão, a sucessão familiar na política muitas vezes reflete apenas um traço hereditário. ''Se você vem de família de políticos, tende a ser político por osmose'', diz. Ele cita a filha do ex-presidente José Sarney, Roseana Sarney, e o neto do ex-presidente Tancredo Neves, Aécio Neves, que hoje fazem sucesso na política. (AE)

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