A ‘‘intervenção branca’’ decretada pela cúpula nacional do PFL no diretório municipal do Rio, sacramentada na eleição da chapa única ‘‘Unidade’’ no sábado, não pacificará a seção carioca do partido. Os adeptos do prefeito Luiz Paulo Conde, candidato à reeleição, intensificaram nos últimos dias as filiações - cerca de 10 mil novas fichas foram encaminhadas pelo grupo condista - para se fortalecer internamente. Já os seguidores do ex-prefeito César Maia, que também cobiça a candidatura, não escondem que o caminho pode ser deixar as fileiras pefelistas e ir para outra legenda.
‘‘É uma chapa de união’’, disse Conde. ‘‘O PFL é pragmático, não atira no seu próprio pé.’’ O discurso pacifista do prefeito, porém, chocava-se com o tenso ambiente interno do partido, num centro cultural: Conde chegou ao encontro cercado por cerca de 40 lutadores. Os guarda-costas isolaram o palco e fizeram uma barreira atrás da mesa onde estavam sentados os notáveis da convenção, mas o prefeito fez que não viu. ‘‘Ignoro, só estou com os quatro policiais da minha segurança.’’ As preocupações de Conde com possível conflito físico eram infundadas.
Maia e seus adeptos mais conhecidos não foram à convenção, o que deu ao evento um tom morno de cumprimento de decisão superior. Mas era só aparência. ‘‘O conflito continua comendo’’, disse o novo secretário-geral, Jackson Vasconcellos, pró-Maia. Conde venceu o primeiro round. Maia não conseguiu - porque caciques como os senadores Antônio Carlos Magalhães (BA) e Jorge Bornhausen (SC), não deixaram - nem assumir o processo sucessório nem montar a nova direção municipal nem lançar chapa dissidente.

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