A Justiça Eleitoral deve julgar dentro de dez dias a representação apresentada pelo candidato derrotado à prefeitura de Santa Fé (47 km ao norte de Maringá), João Mauro (PSDB), contra a chapa do prefeito eleito, Fernando Brambilla (PPS). No documento, João Mauro denuncia suposto crime eleitoral praticado pelo candidato a vice de Brambilla, o empresário Ademir Licce (PTB).
''Durante um comício, ele prometeu à população que iria doar 100 terrenos para construir 100 casas populares. E que se a prefeitura não tivesse dinheiro, pagaria as despesas do próprio bolso. Isso concretiza compra de voto'', acusou João Mauro que foi derrotado nas eleições do último domingo por 3.018 a 2.140 votos. O discurso de Licce foi gravado pelos adversários e uma cópia encaminhada para a Justiça Eleitoral.
A coligação tucana foi responsável pela denúncia de crime eleitoral que gerou a cassação do mandato do ex-prefeito Pedro Brambilla (PMDB), pai do prefeito eleito fato que abriu espaço para a realização da eleição extraordinária. Segundo João Mauro, a chapa de Fernando Brambilla também teria descumprido acordo com a Justiça Eleitoral vedando a distribuição de brindes de campanha. ''Eles soltaram mais de mil camisetas no dia da votação'', acusou.
A representação está sendo analisada pelo juiz eleitoral Gilberto Perioto, de Astorga, comarca com jurisdição sobre Santa Fé. Perioto disse à Folha que determinou a degravação do discurso e que deve emitir uma decisão em poucos dias. ''Pretendo esgotar isso antes da posse do novo prefeito, que deve ocorrer até 7 de julho pelo calendário oficial'', afirmou. ''Ainda não li a degravação, mas acredito que, em tese, fazer promessa de campanha não configura crime eleitoral. Aparentemente não vejo muito coisa, mas vou verificar o contexto em que falou isso.''
O prefeito eleito, Fernando Brambilla, minimizou a gravidade das denúncias. ''Esse fato significa o desespero de quem não aceita a derrota. Mais uma vez eles perderam e não souberam aceitar a vontade do povo'', defendeu-se. ''No comício, meu vice disse que se o município precisar de ajuda, ele vai ajudar como já fez em outras ocasiões. O Licce é dono de loteadora e já deu terreno para a prefeitura, para a Apae, a APMI, ele sempre ajudou a comunidade.'' Para Brambilla, a representação ''não vai dar em nada''.

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