O líder do PTB na Câmara, Pedrinho Abrão (GO), é um aliado do governo que atrapalha muito e ajuda pouco. Ele costuma pedir alto. Exigiu o controle, por exemplo, de cinco diretorias da Companha Nacional de Abastecimento (Conab), do Ministério da Agricultura, de uma diretoria do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e ainda ameaçou votar contra o governo por concluir que não vinha recebendo o carinho merecido.
Pedrinho Abrão é também um dos líderes da bancada informal dos ruralistas. É nesta bancada que o governo encontra maior resistência a seus projetos, toda vez que toma alguma iniciativa ligada à agricultura. Agora mesmo a bancada ruralista está trabalhando contra o governo, ameaçando votar contra as reformas administrativa e tributária e contra o projeto de reeleição. Tudo porque os ruralistas não aceitam o aumento do Imposto Territorial Rural (ITR).
Com a revelação de que teria pedido 4% de comissão para manter no Orçamento de 1997 as verbas destinadas a dar continuidade à obra do Açude Castanhão, no Ceará, Pedrinho Abrão acabou causando um sério problema para o Congresso. Se há um tema que deixa a Câmara e o Senado de cabeça baixa é a suspeita de fraude e corrupção no Orçamento.
As duas casas ainda se recentem das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento, iniciada em outubro de 1993 e concluída em janeiro de 1994, que pediu a cassação de 17 deputados e um senador, todos por corrupção. Na quinta-feira, logo depois da divulgação da notícia de que Pedrinho Abrão pedira 4% de comissão à Construtora Andrade Gutierres, deputados e senadores estavam desconfiados.
Alberto Goldman (PMDB-SP) disse que já tem dificuldades em andar pelas ruas e que agora certamente estas deveriam até aumentar. O líder do PSDB, José Aníbal (SP), afirmou que o fato era muito grave. O presidente da Câmara, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), prometeu que tudo seria apurado. E o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos, senador Roberto Requião (PMDB-PR), sugeriu a cassação sumária do mandato do líder do PTB.
O título de líder para Pedrinho Abrão é até um pouco forçado. Se o regimento interno da Câmara fosse cumprido o PTB não teria direito a líder nem ao nobre espaço, ao lado do plenário, que é ocupado pelos líderes. O partido, que tem 27 deputados, forma um bloco coligado com o PFL. Diz o regimento que, feito o bloco, as mordomias ficam restritas ao maior partido da aliança.
Só parte desta determinação é cumprida. Efetivamente, quem nomeia os integrantes do PTB para alguma comissão é o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). Foi ele quem indicou Pedrinho Abrão para a Comissão Mista de Orçamento e depois o destituiu. Mas os telefones, fax, carro de representação, servidores, cafezinho, computadores e fotocópias continuam à disposição do PTB, tudo em salas que ocupam mais de cem metros quadrados, a 15 passos do plenário.
Há cerca de três meses o líder do PTB anunciou que passaria a fazer obstrução em todos os processos de votação. Era o sinal de protesto contra os ‘‘maus-tratos’’ que, segundo Pedrinho Abrão, o PTB sofria por parte do governo. A obstrução não ocorreu, até porque nem todo o partido segue as orientações do deputado Pedrinho Abrão. Há uma parte que fica ao lado do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), opositor de Pedrinho e aliado do governo.
As exigências de Pedrinho Abrão para conservar cinco diretorias da Conab têm, de acordo com seus próprios colegas de Parlamento, um só objetivo: impedir que uma dívida de R$ 10 milhões de suas empresas Goiazem e Soalgo - armazenadoras de grãos credenciadas pelo Ministério da Agricultura - sejam cobradas. Pedrinho Abrão é também dono de hotéis e transportadoras, em Goiás. Tem ainda uma empresa de táxi aéreo. Quando foi para Brasília, em 1991, anunciou a empresa nas listas telefônicas. O detalhe é que o escritório e os telefones da empresa eram da Câmara dos Deputados.

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