Chantagem como troco
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 01 de março de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Chantagem como troco
Apesar de a luta contra a corrupção ter sido um dos fundamentos da vitória de Bolsonaro e reafirmada na presença de Sergio Moro como seu ministro da Justiça, a articulação política está fazendo exigências cada vez mais radicais e impondo suas posições como na questão do abrandamento do caixa 2, recuo na indicação de Ilona Szabó no Conselho de Politica Criminal, e agora outra chantagem: o centrão aprova o pacote antiviolência, desde que se vote na Câmara Federal o projeto que endurece a lei de abuso de autoridade.
Se no campo judicial houvesse perspectiva de recuos como os normalíssimos da política, porque essas são mais contundentes do que restrições e revisões da alçada superior, normais no fluxo judicial, a Lava Jato não teria chegado onde chegou na prisão de tanta gente, desde Lula, Sergio Cabral, Zé Dirceu, Eduardo Cunha e agora o resistente Paulo Preto, operador da troupe tucana de São Paulo. Certa ocasião Sergio Moro se queixou que estava cansado de levar bola nas costas em referência ao Judiciário e percebe-se que se tudo continuar assim na política acabará levando bola no meio da caneta e até o drible da vaca.
Só falta o inimaginável, anseio máximo da fauna, a anistia ao time do Caixa 2.
Reação
Foi recebida com a maior naturalidade, em fevereiro, a notícia de que havia nas agências do trabalhador em todo o estado nada menos do que 3 mil vagas em oferta. Com o fechamento dos números do Caged, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, soube-se que no Brasil houve um saldo de 34.313 vagas, no Paraná de 9.145 e em Londrina de 659. Analistas mostraram que o bom resultado dá um respiro, todavia não corrige o acumulado negativo em 12 meses. Londrina teve saldo de 136 empregos em janeiro de 2018. O diagnóstico persiste: apostar na inteligência e na tecnologia, insistir no aparato industrial e tentar a correção do estrangulamento do comércio, que fechou 202 postos. A questão do consumo é básica para a melhoria do mercado interno e depende do afastamento dos resíduos recessivos.
O básico
Vamos mal no básico da profilaxia: a dengue persiste no avanço e o referencial em Londrina é a concentração de 85% de casos no sul (Itapoã) e a reportagem desta Folha mostrou cenas de desleixo na região afetada com excesso de lixo nas ruas. E o Paraná acaba de registrar o quinto caso de febre amarela e o Iap liberou ingresso nos parques estaduais, que estavam até então interditados, desde que os visitantes estejam vacinados.
Pibinho
Há muito tempo o que marca a atividade econômica do Brasil é o Pibinho, Pib anão como o do ano passado de 1,1% que mostrava recuperação, desacelerada no fim de 2018. Em todos os governos de FHC para cá tivemos momentos negativos que se acentuaram no período agudo da queda de Dilma Rousseff e que se mantiveram discretamente positivos com Temer. Num momento em que as perspectivas de melhora com a reforma previdenciária se acentua, esse recado passa a tornar mais agudo o desafio lançado ao governo Bolsonaro.
Observadores acham que mesmo com a reforma das aposentadorias a economia não terá fôlego para o deslanche. Uma constatação foi de que, apesar da melhora no setor da construção civil, ela ainda foi a única a cair em 2018 em -2,5% e por isso há quem veja no segmento por sua expressão em cadeia uma das saídas corretivas sob estímulos especiais. O Pib do agronegócio com alta de apenas 0,1% no ano frustrou e se sujeita a piorar com as variações climáticas e a trégua na guerra comercial com bloqueios a nossos produtos como a carne.
O consumo teve melhora, com 1,6% no incremento da demanda interna, mas se mostrou insuficiente para sustentar os salários, uma das causas expressa no grande número de trabalhadores informais.
O Pib alcançou no período R$ 6,8 trilhões e a renda per capita cresceu 0,3%, descontada a inflação, para R$ 32.747. É por isso que se diz, anedoticamente, que a renda per capita é uma abstração socializante que acaba, comparada com países mais civilizados, mostrando a nossa indefectível pobreza.
Carnaval
Felizmente não se polemiza mais sobre se há ou não carnaval em Curitiba. O fato é que os preparativos (Garibaldos e Sacis) há anos em prática derrubaram a má vontade daqueles que pregavam a rejeição com festivais musicais e uma espécie de abertura ao turismo. Essa antecipação ganhou força e serviu para acentuar a pobreza do festejo, com exceção do que se dá nas praias. É uma inversão do que se dava no passado com a abertura da festa com o entrudo, manifestação de origem lusitana, barra pesada, em que as pessoas se agrediam na rua com banhos de água suja e ataques com farinha, às vezes compensada com arremesso de limões de cheiro.
Folclore
Por falar em cheiro não me esqueço do primeiro anúncio perfumado na imprensa nacional e que saiu, aqui na terra, no "Diário do Paraná". Uma encenação incrível marcou o feito com homens de jaleco, como se alquimistas fossem, preparando a adição do perfume nas tintas. Tratava-se do produto Dana, que era danado, tanto que aprontou dor de cabeça geral. É o caso de perguntar: "sensorial é senso real?"


