Chanceler brasileiro irrita cubanos
Chanceler brasileiro irrita cubanos
Motivo foi um encontro do ministro brasileiro com um dissidente que lidera a Comissão Cubana de Direitos Humanos
France Presse
Arquivo FolhaLampreia: sem ver Fidel CastroO ministro brasileiro das relações exteriores, Luis Felipe Lampreia, dispôs como quis de seu tempo livre, respondeu ontem visivelmente contrariado o porta-voz da chancelaria cubana, interrogado sobre o encontro do visitante com um dissidente esta semana.
O emprego do tempo privado dos visitantes não é do menor interesse das autoridades cubanas, afirmou o porta-voz Alejandro González numa coletiva.
Lampreia não foi recebido pelo presidente Fidel Castro, habitualmente generoso com o tempo que dedica às personalidades estrangeiras.
Esta ausência de entrevista foi interpretada por numerosos observadores como sinal de descontentamento das autoridades de Havana devido ao encontro entre Lampreia e o presidente da ilegal Comissão Cubana de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Elizardo Sánchez.
Os visitantes estrangeiros de escalão ministerial não têm o hábito de se reunir pessoalmente com membros da dissidência cubana, preferindo delegar essa tarefa a membros de sua comitiva.
Durante um encontro com a imprensa anteontem antes do final da visita, Lampreia falou da oposição de Brasília à reintegração imediata de Cuba à OEA, devido à cláusula dessa organização de 1991 sobre a democracia. No entanto, Lampreia se pronunciou por uma reinserção gradual de Cuba no Sistema Interamericano.Cuba não aceita nenhum condicionamento de qualquer natureza para a reinserção na OEA, reiterou ontem o porta-voz do ministério cubano das relações exteriores.





