Chance de reverter privatização é nula, afirma advogado
Curitiba - Na época em que foi privatizado, outubro de 2000, o Banestado possuia 376 agências, 115 mil contas jurídicas, 456 mil contas de pessoas físicas, 183 mil contas de folha de pagamento e 413 mil cartões de crédito. O crédito fiscal não refletivo no patrimônio líquido era de R$ 1,6 bilhão. No entanto, o preço da avaliação de lance mínimo para o Banestado no leilão de privatização ficou estipulado em R$ 434 milhões.
''Avaliamos que o preço não levava em conta a marca Banestado, os créditos fiscais e outras questões. Por isso o ágio'', explicou Setúbal. O Itaú comprou o Banestado por R$ 1,625 bilhão. No entanto, o próprio presidente do Itaú disse que não venderia o banco pelo mesmo valor. Atualmente, o preço mínimo estabelecido pelo banco, caso houvesse venda, seria de R$ 2,5 bilhões.
Após prestar depoimento, Setúbal foi embora acompanhado pela segurança da Assembléia Legislativa. Ele não quis dar entrevistas. O advogado criminalista René Dotti, que defende o Banco Itaú, disse ontem que não existe a possibilidade de ser revertida a privatização do Banestado, como sugerem alguns deputados da CPI. De acordo com ele, se ocorreram irregularidades foram dentro do governo Jaime Lerner (PFL).
''Não houve fraude por parte do banco, houve boa-fé de comprador'', defendeu. Dotti avaliou como ''julgamento precipitado'' o depoimento dado na terça-feira pelo procurador da República, Luiz Francisco de Souza, sobre a necessidade de se romper o contrato de saneamento do Banestado e anular o processo de privatização. ''Foi um julgamento precipitado e sumário'', considerou.(L.P.)





