Leandro Donatti
De Curitiba
O deputado Ricardo Chab (PTB) já tem as 18 assinaturas necessárias para a instalação de uma CPI para investigar a compra sem licitação de 17 mil jaquetas coreanas pelo ex-comandante da Polícia Militar Luiz Fernando de Lara. Tiago de Amorim Novaes (PPB) assinou o requerimento de Chab, que deverá ser lido em plenário semana que vem. Até lá, o deputado tenta convencer o restante dos governistas da importância da CPI.
Além de Tiago Amorim e de Chab, aderiram ao requerimento os governistas Algaci Túlio (PTB) e Miltinho Pupio (PSC). Os 14 deputados da oposição fecharam posição. Eles apóiam em bloco a CPI, mas só formalizam a adesão com a assinatura dos três governistas. ‘‘Todo mundo assina, mas antes os governistas têm de formalizar compromisso’’, condicionou Edgar Bueno, líder da oposição. ‘‘Não queremos entrar numa barca furada’’, justificou.
Chab confirmou o compromisso dos três governistas e começa hoje a coletar as assinaturas da oposição. O deputado usa a tribuna da Assembléia, para se pronunciar sobre o relatório da comissão designada pela Secretaria da Segurança para apurar o caso. O relatório, divulgado anteontem, livra o ex-comandante geral da PM da acusação de que usou dinheiro da corporação para conceder empréstimo ao importador George Pantazis.
‘‘É um relatório superficial, que não vai a fundo, e que dá fôlego para instalarmos uma CPI, para investigar as denúncias com mais profundidade’’, avaliou Chab. O deputado admitiu ontem que gostaria de contar o apoio de pelo menos 30 dos 54 deputados da Casa. Ele não quer que o pedido de investigações contra a PM se transforme ‘‘numa CPI laranja’’. O parlamentar pretende apurar ainda denúncias de locação irregular de veículos pela Secretaria de Segurança.
A obtenção das assinaturas por Chab causou inquietação no Palácio Iguaçu. O governo deve intensificar a pressão sobre a bancada governista até a semana que vem, na tentativa de impedir a instalação da CPI. O governador Jaime Lerner (PFL) passava tranquilidade ontem. Disse, pela manhã, no Palácio Iguaçu, que o relatório inocentando Lara confirmou o que ele sempre disse. ‘‘A troca do comando da PM não teve nada a ver as jaquetas. O que me levou às substituições foi a minha intenção de unificar as polícias militar e civil’’, argumentou o governador.

ENTENDA O CASO
- 24 de agosto
Importador Georges Pantazis confirma a compra pela PM, sem licitação, de 3,5 mil jaquetas da Coréia do Sul. PM paga R$ 350 mil adiantados.
- 2 de setembroSecretaria de Segurança (SSP) forma comissão para apurar o caso, já investigado pelo Ministério Público (MP).
- 19 de outubroMP descobre que antecipação de R$ 350 mil seria empréstimo que comandante Lara teria concedido a Pantazis.
- 24 de outubroCoronel Honório Bortolini diz que é falsa a versão de que o dinheiro foi usado por Pantazis para a compra de jaquetas.
- 25 de outubroCai cúpula das polícias militar e civil.
- 8 de novembroLara é inocentado do caso pela SSP.

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