CGU tem poucos auditores e muitas denúncias
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sexta-feira, 03 de junho de 2005
Leonencio Nossa<br> Agência Estado 
Brasília - O ministro Waldir Pires reconheceu ontem que a Controladoria Geral da União (CGU) não dispõe de um número suficiente de analistas e auditores para atender a demanda de denúncias e suspeitas de irregularidades na máquina pública. Em entrevista para lançar o IV Fórum Global de Combate à Corrupção, ele informou que a CGU conta com 2.120 servidores, 450 a mais que no governo Fernando Henrique Cardoso. Outros 500 devem ser contratados até o final do ano. A lei que criou o sistema de controle do governo federal, de 1986, estabeleceu que seria necessário um total de 5 mil funcionários. ''Precisamos de sucessivos concursos para recompor o quadro'', disse.
É por falta de pessoal, também, que a CGU decidiu não entrar nas investigações de denúncias de cobrança de propina no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), que serviria de caixa do suposto esquema de corrupção do PTB. O subcontrolador Jorge Hage afirmou, no entanto, que a CGU não investiga a denúncia especialmente por não se tratar de desvio de dinheiro público, mas cobrança de propina. Ele defendeu, nesse caso, a investigação da Polícia Federal. ''Para cada coisa, um remédio. Esse caso está mais para a PF'', disse. Hage explicou que CGU perderia tempo e já conta com ''pessoal escasso'' para investir em um problema que não envolve licitação, contrato e contas.
Há dois anos o governo brasileiro aceitou sediar o Fórum de Combate à Corrupção, que já ocorreu em Washington (EUA), Haia (Holanda) e Seul (Coréia do Sul). O evento será aberto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima terça-feira. Entre os dias 7 e 10, especialistas e autoridades discutem temas diversos, como lavagem de dinheiro, acordos internacionais e mecanismos de controle de gastos. Lula assinará decreto ratificando a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, aprovada em 2003.
Ontem, na coletiva, o ministro Waldir Pires se esforçou para mostrar que a realização do evento não faz parte do esforço do governo em convencer a opinião pública que está atuando para combater a corrupção especificamente no caso de denúncia envolvendo a Empresa de Correios e Telégrafos. Pires disse que o governo Lula prioriza ''esmagadoramente'' muito mais o combate à corrupção que a administração anterior. ''Tudo está sendo feito (investigar as denúncias nos Correios), ninguém está escamoteando, silenciando ou interrompendo.''
A uma indagação se defendia a instalação da CPI dos Correios, Waldir Pires usou da experiência de ''50 anos de democracia'', como ele mesmo ressaltou, para se esquivar da pergunta. ''A CPI é o único instrumento do Parlamento e da democracia para não precisa de votação e do apoio da maioria, é um direito da minoria'', disse. ''Mas tudo o que o governo deveria fazer ele está fazendo.''
Waldir Pires defendeu, na entrevista, o sigilo das contas e gastos dos cartões corporativos para alguns funcionários da Presidência e dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa. ''Em qualquer país do mundo e em qualquer regime, o sigilo nesse caso é preservado para garantir interesses estratégicos e de segurança.''


