Brasília - A Controladoria-Geral da União (CGU) começou a mapear quais foram os parlamentares que fizeram emendas ao orçamento que beneficiaram obras sob responsabilidade da construtora Gautama. O objetivo é verificar se há vínculo entre essas emendas e os contratos irregulares investigados pela Polícia Federal.
Os técnicos da CGU, no entanto, já encontraram a primeira barreira: grande parte das emendas para empreendimentos da Gautama era de bancadas estaduais, ou seja, não permite a identificação do parlamentar autor da proposta.
Segundo o controlador-geral da União, ministro Jorge Hage, o levantamento apenas começou e ainda não há estimativa dos valores repassados a obras da Gautama por meio de emendas, mas já foi possível detectar a prevalência de emendas conjuntas. ''As emendas coletivas dificultam mais o rastreamento, porque não há um autor, mas o conjunto'', afirmou Hage.
O ministro também não revelou se as emendas são das bancadas dos Estados onde há suspeita de concentração dos casos de desvio de recursos e envolvimento de funcionários públicos e políticos, como Alagoas, Maranhão, Sergipe, Bahia, Mato Grosso e Piauí.
Levantamento preliminar da Controladoria-Geral da União (CGU) mostra que, entre 2000 e 2006, a empresa Gautama, apontada como maior beneficiária do esquema de desvio de recursos investigado pela Operação Navalha, da Polícia Federal, recebeu de órgãos federais R$ 103,1 milhões, de um total de R$ 157 milhões negociados. Em nota divulgada em seu site na internet, a CGU informa que nos convênios com Estados e municípios Alagoas já recebeu R$ 30 milhões (de um total de R$ 77,2 milhões), Sergipe ficou com R$ 42,9 milhões (de R$ 68,4 milhões) e a prefeitura de Camaçari, na Bahia, com R$ 1,1 milhão (de R$ 11,5 milhões).

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