Brasília - O ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, disse ontem que ao menos 20% dos municípios fiscalizados pela CGU no país apresentaram irregularidades ''graves'' na gestão dos recursos públicos. Hage responsabilizou o Poder Judiciário pela demora na aplicação de punições aos municípios onde há fraudes e ações de corrupção.
''O governo federal já demitiu mais de 1.700 agentes públicos por improbidade nos cinco primeiros anos. Todo mundo sabe qual é o problema, que são as leis processuais que permitem a um bom advogado não deixar um processo ser concluído em menos de 10 ou 20 anos. Os corruptos são os que podem pagar os melhores advogados'', criticou.
Entre os municípios que registram irregularidades ''médias'', segundo Hage, o índice chega a 70% do total de cidades fiscalizadas pelo governo. A principal fonte de desvios está em ações de corrupção encontradas em todo o país. ''Deixa-se de realizar a obra ou objeto do convênio ou deixa de chegar a merenda escolar dos alunos porque o dinheiro foi desviado'', disse.
Hage afirmou que nos ''grotões'' do Nordeste, Norte e Centro-Oeste, o índice de irregularidade nos municípios é maior. Segundo o ministro, a CGU aplica como punição aos municípios em que as fraudes são identificadas o ressarcimento aos cofres públicos - mas admitiu que, na prática, a penalidade acaba não aplicada na maioria das localidades.

mockup