CGM reitera que procuradores registrem jornada de trabalho
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terça-feira, 29 de agosto de 2017
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 

Em procedimento interno instaurado pelo gabinete do prefeito Marcelo Belinati (PP) para apurar a necessidade de os procuradores do município de Londrina baterem o cartão ponto como todas as demais categorias de servidores , a CGM (Controladoria-Geral do Município) reiterou pedido de que a obrigatoriedade seja estendida a eles. Já a Secretaria de Recursos Humanos, em parecer assinado pela secretária Margareth Socorro de Oliveira, fez uma defesa dos procuradores, acatando integralmente os argumentos de que a categoria está dispensada da obrigatoriedade por desenvolver trabalho intelectual.
O procedimento foi instaurado após reportagem publicada pela FOLHA em março deste ano, na qual o controlador-geral João Carlos Barbosa Perez informava que os procuradores não batem o ponto e que havia recomendado, como órgão de controle, que tal medida fosse adotada pela PGM. Àquela ocasião, o procurador-chefe João Luiz Esteves defendeu a impossibilidade de cumprimento da exigência, citando súmula da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e alegando que a natureza do trabalho do advogado público, que exerce atividades fora do prédio da prefeitura, como a participação em audiências no Judiciário, impediriam o registro do ponto.
Em razão da reportagem, o OGPL (Observatório de Gestão Pública) e o CMTCS (Conselho Municipal de Transparência e Controle Social) solicitaram providências ao prefeito para que os procuradores cumpram as normativas internas, batendo o cartão ponto. Com o procedimento aberto, ao qual a reportagem teve acesso por tempo limitado (somente por 10 dias) por meio da Lei de Acesso à Informação, se manifestaram pela impossibilidade do controle de jornada a Associação Nacional de Procuradores Municipais, a subseção de Londrina e a seção do Paraná da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a própria PGM e a Secretaria de Recursos Humanos.
"Após análise de todas as decisões apensas ao presente processo, resta comprovado que não compete a Secretaria de Recursos Humanos combater tão vastos e fundamentados pareceres jurídicos que demonstram a singularidade da carreira de Advogados Públicos à luz da Constituição Federal de 1988", defendeu a secretária de Recursos Humanos, anexando diversas decisões judiciais favoráveis à jornada flexível de procuradores municipais. Ela segue o parecer asseverando que tal singularidade "afasta qualquer irregularidade na forma de registro de frequência, adotado pelos procuradores jurídicos do Município, ficando a critério de autoridade superior qualquer outra determinação".
Esta "autoridade superior" é o prefeito Marcelo Belinati, que, segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, ainda está analisando todas as nuances da questão antes de expedir sua decisão.
Hoje, os procuradores de Londrina não registram qualquer tipo de jornada os superiores hierárquicos é que atestam que eles cumprem as seis horas diárias. Em entrevista à FOLHA, em março, Esteves chegou a dizer que os procuradores trabalhavam além da carga horária e não recebiam horas extras e, portanto, exigir o controle de jornada poderia implicar gastos adicionais para o município.
Tal afirmativa levou o OGPL a solicitar auditoria na folha de pagamento da PGM. Porém, com a constatação da Secretaria de Recursos Humanos de que "não é possível inferir indicação de horas extraordinárias, uma vez que os dados de registro não demonstram o horário de entrada e saída, mas apresentam o cumprimento da jornada", a CGM entendeu ser possível auditar eventuais horas extras feitas pelos procuradores. Por solicitação do OGPL, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina instaurou inquérito civil, em junho, para apurar "possível recusa dos procuradores ao controle de jornada", que ainda não foi finalizado.
ISONOMIA
O atual presidente do OGPL, Roger Trigueiros, disse que a posição da entidade permanece: "Não acho razoável essa liberalidade de uma categoria não bater ponto. Não existe isso em lei alguma", afirmou, ressaltando que há várias situações em que o funcionário público, pelas características de sua função, tem que sair e voltar ao local de trabalho, o que não impede que bata o cartão ponto. "Em momento algum, estamos duvidando que os procuradores cumpram a jornada, mas eles devem ter o controle de jornada como os demais servidores. Os procuradores são servidores e não bater ponto ofende a isonomia", concluiu Trigueiros.
O atual presidente do CMTCS, Fábio Molin, afirmou que pelo fato de a nova diretoria ter assumido há aproximadamente um mês ainda não há posição definida. "Ainda não discutimos com todos os membros e não posso dizer que a posição anterior será mantida ou não", disse Molin, que é servidor público e diretor do Sindserv (Sindicatos dos Servidores Públicos). "É um tema delicado. Hoje os holofotes estão sobre o servidor público." Em entrevista à FOLHA, em março, o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, se disse totalmente favorável ao controle de jornada dos procuradores em razão da isonomia que deve haver no funcionalismo.


