A Corregedoria-Geral do Município (CGM) descartou a participação de servidores municipais no golpe aplicado pela construtora Iguaçu do Brasil em Londrina, com a venda de imóveis irregulares. O prejuízo aos compradores e funcionários chega a R$ 100 milhões. A Iguaçu é investigada também criminalmente por estelionato, formação de quadrilha e falsidade ideológica no comércio de condomínios residenciais. Mais de 600 pessoas foram vítimas, na compra de casas que não foram entregues ou na venda de terrenos à empresa. A prefeitura abriu investigação interna no ano passado.
Conforme despacho final da sindicância, publicado na terça-feira, apenas um dos loteamentos da empresa, o Condomínio Imperial, obteve Habite-se "de maneira regular". O documento pode ter sido utilizado pela Iguaçu para enganar os consumidores nos demais empreendimentos, que tiveram embargos e autuações pela Secretaria de Obras. Os documentos emitidos não especificam nome do condomínio, mas apenas dados técnicos como lote, gleba e quadra. "Ao que parece, a empresa inciou a atividade (em Londrina) com a intenção de fraudar. Agiu com má-fé, contra consumidores de boa-fé", disse o corregedor-geral, Alexandre Trannin.
A CGM apurou que dos 15 empreendimentos em Londrina, a Iguaçu conseguiu Habite-se para um, alvará de construção para outros dois (condomínios Cristal e Iguaçu), consultas prévias junto ao município para iniciar outros nove condomínios, enquanto que três dos loteamentos sequer tiveram pedidos de liberação protocolados. De acordo com Trannin, não houve negligência de servidores nos processos. "Não há como o poder público controlar todas as possibilidades de fraudes. A liberação de documentos na Obras são atos vinculados (a outros órgãos) e, no caso, foram adotados todos os procedimentos para as emissões dos documentos."
Para o corregedor, as pessoas interessadas em comprar imóveis devem antes requisitar à prefeitura, por escrito, a situação do empreendimento e da construtora responsável, para evitar crimes e prejuízos semelhantes. Embora a participação de servidores esteja descartada pela CGM, Trannin confirmou que existem indícios de que um ex-ocupante de cargo comissionado na administração tenha atuado em favor da Iguaçu, mas o nome dele não foi revelado devido ao segredo de Justiça. O corregedor disse que os dados foram encaminhados ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

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