A Associação de Desenvolvimento Comunitário, Econômico e Social (Adecesc), responsável pela realização do Carnaval 2013 no Autódromo Ayrton Sena, poderá ser obrigada a devolver R$ 138 mil à Prefeitura de Londrina. O dinheiro foi repassado via Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), porém, uma auditoria realizada pela Controladoria Geral do Município (CGM) apontou irregularidades na aplicação dos recursos.
O presidente da Adecesc, Stanley Garcia, terá 5 dias para o contraditório assim que for notificado do parecer, encaminhado ontem pela CGM para a Secretaria de Cultura, responsável pelo gerenciamento dos recursos do Promic. A secretária de Cultura, Solange Batigliana, informou que Garcia foi informado no final da tarde sobre o procedimento. "Esperamos que ele venha amanhã (hoje) retirar o relatório, ou então, enviaremos pelo correio na segunda-feira." Ela explicou que "todos os projetos do Promic tem um plano de trabalho a ser executado e o proponente tem que segui-lo, sem exceder valores e sem gastar com outros fins". Solange, contudo, não tinha detalhes sobre os problemas detectados no convênio com a Adecesc. A prefeitura não divulgou o relatório da CGM.
Ela disse que, durante a execução do plano de trabalho, as entidades podem pedir remanejamentos, porém, "a Adecesc nunca nos pediu qualquer alteração". Conforme a FOLHA noticiou no mês de maio, o prazo para a entidade apresentar a prestação de contas ao município expirou em 28 de fevereiro. O dinheiro repassado pelo município deveria ter sido dividido, pela Adecesc, entre as quatro escolas de samba que participaram do Carnaval deste ano.
A auditoria, neste caso chamada tecnicamente de "tomada de contas especial", é uma exigência do Tribunal de Contas (TC) do Paraná. O município deve prestar contas bimestralmente de recursos repassados a entidades por meio de convênios. Quando não adota esta medida, pode ficar impedido de obter as certidões negativas. Stanley Garcia não foi localizado para comentar o parecer. A reportagem também ligou para o controlador-geral, Hélcio dos Santos, mas ele não atendeu.
Em maio, a Adecesc e o Carnaval londrinense também figuraram em uma reportagem publicada pela revista Veja. A reportagem sustentava que houve falsificação no material de divulgação do Carnaval, na tentativa de buscar patrocinadores. O assessor parlamentar André Guimarães, ligado ao gabinete do deputado federal André Vargas (PT), é quem, segundo a revista, teria articulado a fraude. Procurado pela FOLHA na época, Guimarães negou qualquer irregularidade.

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