CGM arquiva investigação contra ex-secretária
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sábado, 16 de novembro de 2013
Edson Ferreira<br> Reportagem Local 
A Corregedoria-Geral do Município (CGM) de Londrina arquivou a investigação sobre suposto pagamento de propina para a ex-secretária municipal do Trabalho, Emprego e Renda Neiva Vieira Sefrin. O procedimento foi instaurado, a partir das denúncias feitas à imprensa, pelo ex-secretário Rodrigo Carlo Sotille, que ficou no comando da pasta por três meses, substituindo Neiva, de setembro a novembro de 2012. Contudo, conforme o relatório final da CGM, publicado na semana passada, "não há elementos suficientes para a configuração de infração".
A empresa Brasilserv Transportes e Serviços, de Campo Grande (MS), havia sido contratada, por R$ 25,5 mil mensais, para oferecer mão de obra à Agência do Trabalhador de Londrina (Sine) a Secretaria do Trabalho foi criada depois e acabou tendo o seu contrato rescindido unilateralmente pelo município por falhas no pagamento dos seus funcionários. Pelo contrato, a empresa disponibilizava 14 funcionários que faziam o atendimento direto ao público, encaminhando para vagas de trabalho ou o pedido de seguro-desemprego. Na época, inclusive, houve paralisações no atendimento à população em virtude do atraso.
Durante a investigação, Sottile e outro servidor foram convocados para prestar esclarecimentos sobre a suposta propina que seria paga à Neiva. O pagamento seria para que o contrato fosse mantido e os repasses à Brasilserv fossem feitos regularmente. De acordo com trechos do depoimento, aos quais a FOLHA teve acesso, o servidor "não visualiza como isso (propina) teria acontecido", pois ele também participava do processo de liberação dos pagamentos para a Brasilserv. Segundo ele, apenas quando a empresa não apresentou a certidões necessárias, o repasse ficou retido.
Sottile entregou à CGM gravação telefônica de uma conversa que teve com o dono da empresa Brasilserv, mas, no áudio transcrito na sindicância, o empresário nega que tenha repassado qualquer recurso à ex-secretaria. "Ficou demonstrado não haver menção alguma de pagamento de propina", segundo a CGM. Uma terceira testemunha foi convidada a prestar depoimento na sindicância, mas, como não era servidora, não compareceu.
Sottile não foi localizado para comentar o arquivamento da sua denúncia. Neiva, atualmente lotada na Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, foi informada do arquivamento pela reportagem, mas preferiu não comentar.
No ano passado, o ex-secretário também encaminhou denúncia ao Ministério Público (MP) sobre a suposta propina. A FOLHA não conseguiu apurar junto à promotoria de Justiça se a investigação está em andamento.
A CGM também está apurando se houve eventual falha funcional de servidores da Secretaria Municipal do Trabalho, Emprego e Renda na fiscalização do contrato entre a Prefeitura de Londrina e uma associação do Rio Grande do Sul, cujo objetivo era a capacitação de dois mil jovens para o mercado de trabalho e a inserção de pelo menos 600 deles em vagas de emprego. O contrato tinha valor de R$ 4 milhões, executado com recursos do Ministério do Trabalho através do Projovem. As suspeitas de irregularidades também foram levantadas por Sottile.


