Relatório da Controladoria Geral do Município (CGM), com data de 9 de novembro, recomenda que o município não reajuste os preços dos serviços prestados pela Kalunga e que se abstenha de pagar o aditivo. ''Entendemos que as evidências são fortes a respeito de sobrepreço do contrato'', aponta o documento. Um dos argumentos é justamente a ação do Ministério Público, que pedia ressarcimento de mais de R$ 6 milhões. ''Como se pode falar em aumento retroativo se a empresa pode vir a ser obrigada a devolver cifra bem superior a essa'', questiona a CGM.
Ainda, segundo o relatório, desde 2010 a CGM apontou às secretarias de Gestão Pública e de Educação a necessidade de rever o contrato e reduzir os preços, em razão da suspeita de superfaturamento. Além de algumas terceirizadas da Kalunga receberem valor muito inferior ao que o município paga por quilômetro rodado - cerca de R$ 3 contra R$ 4,28, a CGM revela ter feito pesquisas de preços em várias cidades do país e o preço do quilômetro rodado para o transporte escolar rural foi sempre inferior a R$ 3. Em Maringá (Noroeste), por exemplo, o custo era de R$ 2,68 e o contrato perdurou até maio de 2012.
Outro apontamento da CGM é que até 2007, quando várias empresas exploravam o transporte escolar rural, o custo era bem menor. ''Sem o monopólio, o serviço custava R$ 4,9 milhões. A partir de 2007, passou para R$ 8,1 milhões, aumento de 64,74%'', contabiliza.
Expedito Castro disse que a decisão do TJ põe fim à polêmica e justificou a diferença de valor entre o que recebe e o que passa para suas terceirizadas. ''O preço médio é de R$ 4,28 por quilômetro rodado. Para algumas subcontratadas, que fazem o transporte em Kombis, pagamos pouco menos de R$ 3, mas, para as empresas que utilizam ônibus, pagamos R$ 6,60 por quilômetro rodado'', afirmou. ''Recebemos um valor médio.''
O relatório foi encaminhado às secretarias de Gestão Pública e de Educação e ao prefeito Gerson Araújo (PSDB). A CGM também solicita que os órgãos competentes avaliem eventual fraude na licitação, já que entre as cinco participantes, apenas a Kalunga tinha capital social suficiente para ser classificada e uma das empresas que participou da licitação foi posteriormente contratada pela Kalunga para executar o serviço de forma terceirizada. (L.C.)

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