A insustentabilidade do câmbio elevará em, média, 5% o preço da cesta básica em Londrina. Esta é a previsão do economista Flávio Oliveira dos Santos, que há mais de quatro anos acompanha o valor de 13 itens do conjunto, em 10 supermercados da cidade.
Em parte, essa estimativa deve-se à crise sofrida pelo agronegócio em 2005 iniciada com a estiagem. Graças à falta de chuva, o País foi obrigado a importar o arroz, que caiu de preço em, aproximadamente, 30% nos primeiros 11 meses do ano. A soja é outra commoditie, cuja cotação foi significativamente reduzida em 2005. O dólar em baixa e a perda de qualidade do produto derrubaram em 25% o valor do óleo. Embora o preço da farinha de trigo tenha baixado 7%, o custo do pão francês continuou estável, entre R$ 0,15 e R$ 0,25 a unidade. ''A tendência é que ele caísse, mas isso não aconteceu. Sabemos que o lucro obtido com o pão francês em padarias e supermercados é mínimo. A diferença é que nestes últimos ele é utilizado como chamariz. Talvez, as padarias não tenham suportado uma redução ainda maior'', opinou o economista.
Em compensação, a dona de casa percebeu a elevação do açúcar (+ 8,0%), café (+ 2,5%), batata (+ 40%) e tomate (+ 35%). O primeiro deles subiu de preço em virtude da demanda internacional pelo álcool e o próprio açúcar. ''A quantidade de dólares que as commodities trouxeram para o Brasil e os juros altos mantiveram o dólar em baixa este ano. A falta de interferência do governo na cotação da moeda norte-americana prejudicou os agropecuaristas e sua cadeia produtiva. Essa situação perdurará, no máximo, até as eleições. Tradicionalmente, após os pleitos eleitorais o câmbio aumenta e, consequentemente, a inflação também. Por isso, será muito difícil segurar o custo da cesta básica'', disse Santos que concluirá na primeira semana de janeiro mais um balanço mensal e anual.
Conforme a pesquisa realizada por Santos e sua equipe, a cesta básica de abril foi a mais cara de 2005. Para uma pessoa, ela ficou em R$ 153,13 e para uma família com quatro integrantes (dois adultos e duas crianças), R$ 459,39. Ao contrário, agosto venceu a disputa de preço. Neste mês, o conjunto de 13 itens básicos da alimentação foi orçado em R$ 124,29 para uma pessoa e R$ 372,86 para uma família.

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