Cerveró, Baiano, Youssef e Julio Camargo são denunciados à Justiça
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terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - A força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) ofereceu mais uma denúncia contra os envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro e desvios de recursos de obras da Petrobras, na etapa mais recente das investigações da Operação Lava Jato. Além de novamente citar o doleiro Alberto Youssef, os procuradores denunciaram Nestor Cerveró, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Fernando Antônio Falcão Soares, o "Baiano", apontado como operador do PMDB na estrutura criminosa, e Júlio Gerin de Almeida Camargo, executivo da empresa Toyo Setal, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
No mesmo documento, o órgão também pede que os quatro denunciados paguem R$ 296,7 milhões, sendo R$ 140,4 milhões em devolução das propinas recebidas (estimada em US$ 53 milhões e convertida à taxa de câmbio de R$ 2,65) e R$ 150,6 milhões em reparação de danos causados à estatal petrolífera (US$ 59 milhões à taxa de R$ 2,65).
Segundo os procuradores, Cerveró e Baiano são suspeitos de receber nos anos de 2006 e 2007 propina para intermediar as contratações de dois navios-sonda para perfuração em águas profundas na África e no Golfo do México. Os pagamentos teriam sido feitos pelo executivo Júlio Camargo, na época representante da Samsung Heavy Industries Co., da Coréia do Sul, estaleiro que forneceu os navios.
"Fernando Baiano, conhecido pelo bom trânsito na diretoria Internacional, setor com atribuição para a aprovação da compra em questão, e amizade íntima com Nestor Cerveró, era conhecido 'intermediário' da diretoria Internacional e, nesta condição, representando Cerveró, solicitou e recebeu o dinheiro em proveito de ambos", apontam os procuradores na denúncia.
De acordo com o MPF, após as negociações, Cerveró tomou providências para que as contratações dos navios-sonda fossem efetivadas. A partir daí, Fernando Baiano passou a receber a propina combinada com Camargo, e depois, a repassar parte dos valores para Cerveró. Posteriormente, segundo a denúncia, foi criado um "sistema" para lavar o dinheiro da corrupção pois, deste modo, os valores chegariam "limpos" nas mãos dos envolvidos. É neste momento que entra em cena a figura de Alberto Youssef. Conforme informam os procuradores, ele auxiliou na lavagem de parte do dinheiro por meio de simulação de contratos de câmbio e de investimentos, transferências de contas no exterior em nomes de pessoas interpostas ou offshores, entre outras ações.
"Após mais nove meses de investigação, apurou-se que, no âmbito da Petrobras, o pagamento de propina em contratos de grande valor, como é o caso destes autos, era endêmico e usual nas diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional. Nem sempre se solicitava abertamente a propina, mas sempre, para a obtenção do contrato, negociava-se o valor indevido a ser pago, diretamente com o diretor da área, gerente ou '`intermediário' próximo deles", destacaram os procuradores na denúncia.
Julio Camargo também era proprietário das empresas Auguri Empreendimentos Ltda., Treviso Empreendimentos Ltda. e Piemonte Empreendimentos Ltda, e chegou a utilizar as contas das mesmas para "despistar" qualquer irregularidade. Atualmente, Julio atualmente é diretor da Toyo Setal e optou por fazer delação premiada, colaborando com ao MPF para desvendar o escândalo da corrupção na estatal. Além da colaboração de Camargo, a própria empresa já se colocou à disposição da Justiça.
DEFESAS
O defensor de Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, informou que seu cliente nega veementemente os fatos apontados pelos procuradores. Ele ainda ressaltou que "a denúncia espelha, apenas, ilações do Ministério Público Federal despidas de provas". O advogado ainda questionou a competência de Moro para julgar as ações da Lava Jato. Segundo ele, "parece-nos, também, que o juízo competente para processar e julgar pretensos delitos ocorridos na sede da Petrobras, localizada no Rio de Janeiro, não pode ser o juízo do Paraná e sim o do Rio´´.
Mário de Oliveira Filho, advogado de Fernando Baiano, disse que não tinha conhecimento sobre a decisão, mas que vai se manifestar nos autos assim que a denúncia for acatada pelo juiz do caso. O advogado de Youssef, Antônio Figueiredo Basto, não atendeu às ligações da reportagem; assim como a defesa de Júlio Camargo.


