O presidente Fernando Henrique Cardoso empossou ontem os ministros José Serra (Saúde), Paulo Paiva (Planejamento) e José Botafogo Gonçalves (Indústria e Comércio) numa cerimônia fechada, rápida e com poucos convidados. O formato da posse, que durou 30 minutos, no gabinete presidencial, teve um motivo político: FHC não quis transformar o Palácio do Planalto num palco de disputas entre os seus aliados. Serra é senador do PSDB e apóia a candidatura do governador Mário Covas (PSDB) à reeleição em São Paulo. Já Botafogo Gonçalves foi indicado pelo PPB, partido do principal adversário de Covas, Paulo Maluf, que foi convidado, mas não compareceu.
Depois da posse, de volta ao Congresso, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), insinuou que os novos ministros, inclusive Serra, ficariam no cargo apenas até o final deste mandato. ‘‘Ministério de oito, nove meses não é a mesma coisa’’, disse ACM, tentando explicar a cerimônia fechada. ‘‘O que não impede, evidentemente, que, se o ministro se sair bem, seja nomeado outra vez.’’
Covas participou à tarde da transmissão de cargo para Serra, no Ministério da Saúde. Ao saber da provocação de ACM por um jornalista, disse: ‘‘Seria um absurdo o Fernando convidar o Serra para ser ministro-tampão. E seria mais absurdo ainda o Serra aceitar’’. Em seguida, devolveu a provocação de ACM no mesmo tom: ‘‘Ao que me conste, quem manda é o presidente da República. Ele determina quem vai, para onde vai e qual o prazo. Quem não gosta disso deve mudar o sistema. Deve apoiar o parlamentarismo, como nós, do PSDB’’. Os repórteres ficaram de fora da solenidade no Planalto. (AF)

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