''Cérebro'' de Campinas lava e retorna milhões
Paulo San Martin
Especial para a Folha
De Campinas
O cérebro financeiro do crime organizado no Brasil é um homem conhecido como Maurício, que atende ainda por dois outros codinomes e circula com desenvoltura pelos principais centros financeiros do mundo. Informações exclusivas obtidas pela Folha de Londrina/Folha do Paraná e pelo Correio Popular, de Campinas (SP), indicam que entre dezembro de 98 e o final do mês passado ele teria movimentado mais de US$ 570 milhões em apenas uma conta seriada no Chase Manhattan Bank, em Nova York. Esta quantia, originária de várias quadrilhas ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado, seria apenas parte do dinheiro lavado por ele desde o início deste ano e já teria retornado ao Brasil, onde circula agora como dinheiro limpo.
Fontes ligadas a organizações de lavagem de dinheiro no Brasil afirmam que as operações comandadas por Maurício entraram em ritmo acelerado nos últimos dias. As quadrilhas, donas do dinheiro que está no exterior, estão assustadas com a a ação da CPI do Narcotráfico e querem que Maurício reoriente a movimentação do dinheiro. Elas temem que as atuais contas já estejam na mira da CPI.
Maurício estaria fazendo com que grandes quantias retornassem, para voltar em seguida em contas limpas no exterior. As mesmas fontes afirmam que numa operação triangulada entre Nova York, São Paulo e Campinas, ele teria movimentado US$ 22 milhões apenas nos últimos três dias.
O nome de Maurício chegou na semana passada à CPI do Narcotráfico, durante as investigações que culminaram com a descoberta da Conexão Campinas. Maurício seria o principal responsável pelas mega-operações de lavagem de dinheiro realizadas pela quadrilha ligada ao empresário campineiro William Walder de Sozza, que fugiu depois que sua prisão preventiva foi decretada. Ele seria um dos principais pontos de ligação entre as diversas quadrilhas do crime organizado investigados pela CPI no Acre, Alagoas, Maranhão, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
O esquema de lavagem de dinheiro de Maurício envolveria tradings em vários paraísos fiscais, entre eles as Ilhas Cayman, bancos, financeiras e empresas de importação, casas de câmbio em Pedro Juam Caballero, Pontã Porã, São Paulo. O coração de toda a operação estaria em Campinas. Treze casas de câmbio brasileiras já começaram a ser investigadas.





