Cepal critica interferência em questão política do País
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sexta-feira, 03 de maio de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro - A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) pediu ao Comitê Executivo de Assuntos Econômicos e Sociais da Organização das Nações Unidas (ONU) a regulação das agências internacionais classificadoras de risco. O secretário-executivo da Cepal, José Antônio Ocampo, argumenta que estas instituições não devem opinar sobre temas políticos dos países.
As agências classificadoras e os bancos de investimentos não têm formação primária sobre temas políticos. Suas análises econômicas são muito interessantes e respeitadas. As análises políticas dão vontade de chorar, afirma Ocampo, que, na próxima semana, abre, em Brasília, a Assembléia Bienal da Cepal.
Ele considera exagerada a reação de bancos de investimentos que elevaram o risco do Brasil por causa da incerteza quanto ao resultado da eleição presidencial.
Enfatizando que os temas políticos são contrários aos interesses dos bancos e das instituições classificadoras, Ocampo afirma que a divulgação de pareceres subjetivos de agentes orientadores do mercado financeiro é, por si só, alimentadora de crises.
O secretário-executivo da Cepal lembra que, durante a reunião promovida pelo Banco Mundial (Bird), em abril, em Monterrey (México), para discutir novas formas de financiamento a países emergentes, uma frase sintetizou o que deveria ser o trabalho destas empresas. Foi dito que as classificadoras de risco deveriam se ater ao tratamento de indicadores objetivos. Análises políticas são totalmente subjetivas. As agências têm economistas, não analistas políticos, comenta.
Ocampo, que foi ministro da Fazenda da Colômbia de 1993 a 1997, afirma que, neste período, a economia colombiana sofreu com o relatório equivocado de uma agência que ele evita identificar. Era uma instituição totalmente ignorante da política econômica colombiana. A Cepal defende que, se a agência não pode informar bem, que não informe nada.
Prematuro Em contraponto às análises feitas por alguns bancos internacionais que rebaixaram a recomendação dos títulos brasileiros, em função do crescimento da candidatura de Lula, o jornal americano Miami Herald publicou um artigo sobre as eleições brasileiras, com análises de fontes ligadas ao meio empresarial e diplomático, concluindo que ainda é muito cedo para falar em vitória do pré-candidato petista.


