O Centro de Apoio Operacional de Promotorias de Proteção ao Patrimônio Público está investigando mais uma denúncia de apropriação indébita de salários dos funcionários de vereadores da Câmara de Curitiba. A denúncia agora é contra o vereador Paulo Frote (PSC) e foi protocolada no Ministério Público e no Tribunal de Contas em Curitiba.
O comerciante Hamilton Pereira de Oliveira alega que foi contratado em janeiro de 1997 para assumir a função de chefe de gabinete do vereador Frote. Ele teria ficado no cargo por dois anos e oito meses. Pelo cargo, de acordo com depoimento prestado ao Ministério Público no dia 18 de fevereiro deste ano, ele recebia R$ 3,5 mil líquidos. Mas só ficava com R$ 2 mil.
O restante era, segundo Oliveira, devolvido para o vereador. Os cheques assinados por Oliveira e nominais ao vereador Paulo Frote foram anexados ao processo pelo advogado Claudio Dalledone Junior, que acompanha o caso. ‘‘Falo em cima de provas materiais’’, afirmou ele, ao mostrar algumas cópias de cheques no valor de R$ 1,5 mil para a reportagem da Folha.
Oliveira relatou ainda, em seu depoimento, que teve que trocar o cargo por um inferior em janeiro de 1999. Ele passou a receber na ocasião R$ 1,8 mil mensais líquido. Daí em diante, não precisava mais repassar qualquer tipo de valor ao vereador. Em outubro do ano passado, ele foi exonerado do cargo. ‘‘Ele me humilhou muito, me usou para se eleger’’, afirmou Hamilton de Oliveira, que é pré-candidato a vereador em Curitiba pelo PMDB.
O comerciante ainda cita os casos de outros sete funcionários do gabinete de Paulo Frote que também teriam que devolver dinheiro dos salários de cargo em comissão para o vereador. Entre eles, o de uma funcionária que receberia R$ 3,3 mil líquido por mês e ficava com apenas R$ 500. O depoimento de Oliveira foi acompanhado pelos promotores Rodrigo Chemin Guimarães e Mário Sérgio de Albuquerque Schirmer. Em resposta a uma solicitação da Central de Inquéritos, Chemin diz – nos autos de número 4040/2000 – que existe ‘‘indício de enriquecimento ilícito do citado vereador e consequente improbidade administrativa’’ ainda em caráter investigatório.
Em entrevista à Folha, Frote disse que não foi informado pelo MP de nenhuma denúncia contra ele, e criticou Oliveira. ‘‘Ele tentou me extorquir. Trabalhava duas horas por dia no gabinete, não fazia quase nada. Quando o demiti ele prometeu que se vingaria de mim’’, afirmou ele, ao negar que as denúncias tenham procedência. Frote contou que demitiu Oliveira quando soube que ele seria candidato pelo PMDB. ‘‘Ele iria me trair. Mandei embora. Então me ameaçou e disse que complicaria de alguma forma minha vida’’, diz o vereador.
Frote declarou que irá responder as denúncias do ex-funcionário com tranquilidade. ‘‘Se tiver que responder por isto, responderei. Os prejudicados serão os moradores da região do Pilarzinho, onde faço trabalho assistencial’’, alegou. Além do vereador Paulo Frote, ainda está sendo investigado pelo mesmo fato o vereador Custódio da Silva (PFL).

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