Os diretores da PBV Representações Eventos e Participações Ltda., proprietária do Centro de Exposições e Eventos de Londrina, afirmaram ontem que a doação da área feita pela prefeitura para o empreendimento foi legal e que desconheciam a existência de obras de uma escola agrícola no local. Eles devem acompanhar a sessão de hoje à tarde da Câmara, quando será discutida a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar a doação de terrenos públicos pelo município.
A CEI foi proposta após a auditoria da prefeitura denunciar que no terreno doado em junho de 1998 (na gestão do ex-prefeito Antonio Belinati – sem partido) ao centro de eventos havia uma escola agrícola em construção, financiada com recursos federais.
Um dos diretores da PBV, Luiz Veiga, disse ontem que apóia a abertura da CEI. ‘‘Não fomos os únicos a receber doação, queremos saber como estão as outras obras. A PBV honrou com tudo que lhe foi pedido e trouxe valorização para a zona sul da cidade. Isso é real’’. Segundo ele, a diretoria foi convidada oficialmente para a sessão de hoje pelo presidente da Câmara, Tercílio Turini (PSDB).
Na área, há uma construção dividida em cinco cômodos que lembra a descrição de uma escola com cinco salas feita pelo auditor da prefeitura, Osvaldo Alves de Lima. Apesar disso, o empresário alegou que não sabia sobre a escola. ‘‘Desconhecíamos a história da escola quando fomos convidados pela Codel (Companhia de Desenvolvimento de Londrina) em 1997.’’
Atualmente, no local das salas funciona um espaço para workshops e palestras. Luiz Veiga garante que, antes do centro de eventos, só havia uma construção inacabada no local, com paredes e telhados em péssimo estado. Ele também apresentou cópia da certidão do imóvel, onde consta que as áreas doadas estão livres de ônus. ‘‘Aqui só havia barracões que serviam de depósito para implementos agrícolas’’, garantiu.
Paulo Veiga, também diretor da PBV, afirmou que a empresa doou telhas e tijolos à prefeitura para manter as construções que haviam no terreno. Segundo ele, as obras existentes no local não eram averbadas e a PBV precisou realizar todos os projetos junto ao município. O pólo frutífero que havia no imóvel, alegou, foi transferido para uma área cedida pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Paulo também contestou o valor e o tamanho do imóvel divulgados pelo auditor Osvaldo Alves de Lima e apresentou um laudo de avaliação assinado pela Comissão Permanente de Avaliação do município da antiga administração. O documento – que mostra o o vereador Sidney de Souza (PTB) como membro da comissão – mostra que em março de 98 os técnicos calcularam que a área valia R$ 673 mil. ‘‘Com o Centro de Eventos, mudou tudo’’, avaliou.
O empresário afirmou ainda que a área tem 12 alqueires – sendo dois de reserva nativa – e não 15, como informou o auditor. Segundo ele, a PBV também não poderá vender o imóvel após cinco anos. ‘‘Se mudarmos nossa função, cessa a lei de incentivo e teríamos que devolver retroativamente as isenções que tivemos.’’ Ele disse ainda que a PBV nunca teve envolvimento ou favorecimento político.

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