Brasília - Líderes do "Centrão" decidiram não judicializar a decisão do presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), de manter a eleição para a presidência da Casa na próxima quinta-feira. Eles não desistiram, contudo, de antecipar a votação para terça-feira, como a maioria havia definido durante reunião de líderes. Após encontro na liderança do PTB, ontem, os parlamentares solicitaram uma reunião da Mesa Diretora da Casa na próxima segunda para buscar um consenso com o presidente.

Aliados do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) ainda consideram que podem convencer Maranhão a mudar de ideia e revogar a sua decisão. Eles defendem que seria arriscado realizar uma votação às vésperas do recesso branco, que começa no próximo dia 18. Os parlamentares disseram ainda que não confiam em Maranhão e que as atitudes do presidente demonstram que ele não pretende realizar a sessão nem mesmo na quinta-feira. Ontem, após funcionários da Casa começarem a montar a estrutura para a eleição, Maranhão mandou recolher as urnas.

Nos corredores da Casa, há um impasse. O líder do PSD, Rogério Rosso (DF), aliado do deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e principal nome para a sua sucessão, disse que concluíram que a decisão dos líderes é claramente soberana e será mantida. Apesar de dizer que vão ignorar a decisão do presidente interino, ele não soube explicar como a ação será na prática, já que o presidente seria o responsável por comandar a sessão extraordinária, conduzir os trabalhos e providenciar a estrutura mínima para a realização da eleição. Já a outra parte da base aliada do presidente em exercício Michel Temer, como PSDB e DEM, argumentou que o regimento da Câmara determina que cabe ao presidente da Casa determinar a data e o dia da eleição do sucessor ao cargo. Segundo o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM), Maranhão garantiu que a reunião será mantida na quinta-feira.

mockup