São Paulo - A Constituição de 1988 descentralizou radicalmente os tributos, mas o governo federal continua com tarefas cuja execução deveria ter sido entregue aos municípios, analisa José Roberto Afonso, ex-superintendente da área fiscal do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Para Afonso, hoje assessor técnico da liderança do PSDB, o atual governo tende a centralizar ainda mais essa execução, aumentando os custos administrativos. ''Num dado momento, o custo administrativo do Fome Zero estava maior que o programa em si'', lembra ele.
Todo o esforço, diz Afonso, deve-se concentrar em gastar menos com administração e o mesmo ou mais com as atividades-fim; aumentar o investimento e diminuir o custeio e investir pesadamente na modernização da gestão. ''A sociedade está cobrando um Estado melhor, não menor.''
Para o presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Cláudio Alvarenga, os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal devem coibir muitos abusos. ''Cumprida a LRF, não tenho dúvida de que se vai conseguir planejamento e gasto adequados'', diz ele. (L.S.)

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