O comando da campanha à reeleição do governador licenciado Mário Covas (PSDB) ameaça processar o diretor-executivo do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, por ter declarado que a disputa em São Paulo seria decidida em segundo turno, sem a presença de Covas. ‘‘O erro do Montenegro foi ter confundido suas preferências eleitorais com qualquer análise responsável’’, afirmou o coordenador de comunicação da campanha do PSDB paulista, Oswaldo Martins.
Em um debate no Rio, na segunda-feira, Montenegro afirmou que a corrida eleitoral paulista caminha para uma disputa entre Francisco Rossi (PDT) e o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). ‘‘Ele (Montenegro) é um falastrão irresponsável e está fazendo isso para beneficiar Maluf, com quem tem relações pessoais.’’ Segundo o tucano, Montenegro ‘‘confunde seu desejo pessoal com as informações científicas do instituto’’.
Martins disse que Montenegro não manteve em relação ao processo eleitoral em São Paulo a isenção necessária a quem dirige um instituto de pesquisas. ‘‘Isso também ocorreu em 1988, quando ele declarou à imprensa que Maluf estava eleito e participou da comemoração antecipada de uma vitória que não aconteceu’’, comentou.
Ao contrário da avaliação do diretor do Ibope, os tucanos trabalham com a hipótese de que a eleição seja definida entre Covas e Maluf. Segundo eles, até o dia 3 de outubro, Covas terá conseguido crescer mais 10 pontos com a conversão da aprovação de seu governo em preferência eleitoral. ‘‘O governo do Estado tem 28% de avaliação ótima e boa, enquanto a candidatura Covas está com 18% das intenções de votos segundo as pesquisas’’, lembrou Martins. ‘‘Transformar essa avaliação de desempenho em intenções de voto é o mesmo que pescar em aquário.’’
Montenegro, por sua vez, garantiu ontem que não fizera uma previsão para o desfecho do primeiro turno em São Paulo. ‘‘Tratou-se apenas de uma análise que, como qualquer outra avaliação, foi feita com base nas pesquisas conhecidas hoje’’, explicou.

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