Desde que a central de atendimento ao eleitor foi inaugurada no comitê de campanha de FHC, diariamente cerca de 40 pessoas telefonam para falar de seus problemas pessoais e reclamar da solidão. Os atendentes que trabalham na madrugada já reconhecem seus interlocutores mais assíduos, chamados de ‘‘carentes’’. A maioria costuma telefonar diariamente para o comitê entre meia-noite e 6h, como é o caso de um jornalista que faz plantão na madrugada e quer saber das ‘‘novidades de Brasília’’.
Há também um taxista que elefona para o atendimento inconformado com a sua situação. Ele trabalha num carro alugado e reclama por ter de repassar a maior parte do dinheiro arrecadado para o proprietário.
A central foi inaugurada no dia 18 de agosto e já recebeu aproximadamente 160 mil ligações. Além de conversar, os eleitores também fazem pedidos ao presidente-candidato, especialmente de emprego. Um jogo de pneus de caminhão, um vestido de noiva e uma dentadura também estão na lista de pedidos que chegaram ao comitê da reeleição.
Os pedidos são negados por carta. A justificativa é que o voto representa a consolidação da democracia, e a Lei Eleitoral não permite a troca de votos por favores. ‘‘Assim vamos desviando o assunto’’, disse Abrão. Os eleitores também se comunicam com o comitê por meio de cartas. Uma senhora de Montes Claros (MG) escreveu para perguntar se FHC havia recebido os coquinhos verdes que ela mandou para ele.
O presidente de um time de futebol amador do interior de São Paulo mandou uma carta para o comitê com uma foto em que aparecem todos os jogadores, identificados, e disse que todos votarão em FHC. A resposta desta carta deverá ser enviada com a assinatura de FHC.

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